quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Planeta USP?

Após ligeira interrupção de nosso estimado Ministro da Cultura, seguimos com a programação normal...


Discussão de mesa de bar: seria a USP um mundo a parte ou apenas uma versão intelectual da sociedade brasileira? Complicada a questão. Acho melhor voltar alguns anos no tempo, mais exatamente na década de 60. Movimentos políticos aflorados, golpe militar, primavera dos povos, embate da Maria Antônia. Saiam os estudantes às ruas, assim como recentemente fizeram na ocupação à Reitoria e na luta pela autonomia universitária. Lutava-se antes pela democracia, enquanto que no tempo presente buscou-se direitos exclusivistas (dos uspianos). Antes de criticar o anacronismo lembremos as manifestações, de ambos períodos, e da retratação que a mídia deu aos estudantes. Lá, em maio de 68, os veículos de comunicação mostraram os embates dos estudantes com a repressão militar, com os reacionários (e pró regime) mackenzianos , e transformaram a única morte do confronto (um estudante secundarista) em ícone de luta contra a censura acadêmica (e midiática). Aqui, na invasão da Reitoria, os movimentos estudantis, primeiro não foram aceitos pelos próprios estudantes uspianos (vulgo expulsão do DCE), segundo foram alvos da mídia para mostrar a “bagunça” que acontecia numa universidade pública. Acontece que, no contexto de 68 a USP realmente representava a massa. Não a massa da periferia sem estudo e sem direito sequer de cursar um ensino ginasial (somente em 71 foi abolido o exame de admissão entre ensino primário e o ginásio), mas sim a população média que chegava ao ensino superior e consequentemente galgava cargos estratégicos da sociedade. Em 2007 a USP representa uma minoria urbana em oposição a uma maioria que cursa faculdades particulares e que sequer sabe onde fica o campus do Butantã (sim, existe uma grande parcela da população que não sabe onde fica a Cidade Universitária). Esse pessoal, ao ligar a televisão e ver um bando de alienígenas marchando nas ruas e pedindo autonomia universitária, logo pensa: “que diabos eu tenho a ver com isso?”, “lá vou eu me atrasar para o trabalho por conta do trânsito e dessa passeata imbecil”. O Governo a muito vem minando o poder da Universidade Pública, transformando-a, na visão da população média, num centro para privilegiados com poder aquisitivo elevado, num lugar distante da realidade cotidiana da população, numa instituição impossível de ser alcançada pelo trabalhador comum. A USP não só abraçou a idéia como também subiu no pedestal para afirmar sua atmosfera “superior” de intelectualidade. Seus alunos, falaciosamente exclamam seus desejos de ajudar a sociedade, depois de adquirirem seus diplomas, mas sabem no intimo que o ambiente interno é bem diferente do externo. Essa não identificação entre a USP e a sociedade (e vice versa) tem dado força à proliferação de instituições particulares sem qualidade que visam a expansão do capitalismo – transformar em mercadoria até a subjetividade, o conhecimento, a educação.

9 comentários:

Bruna disse...

Oh "nóis" aí...

Ministro Puskas disse...

Que milagre te ver por aqui! rs

Tatu disse...

estou pensando sobre uma coisa que presenciei agora pouco no oscar da minha irmã.As referências dessa moçada está tudo ao contrário, eu já não entendo mais nada.

Tio Vinix disse...

a usp( e seu todo formado-formador) é a maior responsável pela sua própria destruição, que está chegado a passos largos

Julia disse...

Nem fala Tio Vinix, daqui a pouco os 4 cavalos do apocalipse-uspiano estão chegando por aqui...

Sem brincadeira, Puskas, não poderia ter falado de forma melhor da situação atual da USP. "Seus alunos, falaciosamente exclamam seus desejos de ajudar a sociedade" não há verdade maior. Chegar na USP é privilégio de pouco, muito poucos, que acham que vão fazer algo pelos muitos, muitos mesmo, que querem também chegar lá e não conseguem. Melhor privatizar tudo mesmo, todos estudaremos na UNIP e FMU, máquinas fazedoras de verdinhas...

Ministro Puskas disse...

"Oscar da minha irmã" ???

salvaterra disse...

seu texto é muito bom cara!

Tatu disse...

and the oscar goes to...

Elton disse...

Imagina quem mora no Crusp. =D