sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Sexta Literária: Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

Como prometido semana passada, fecho por este ano minha participação no tantaprosa com um livro genial para o fim do ano, por dois motivos:

- Rápido e fácil de ler apesar das 260 páginas;
- Mágico, realista e cheio de símbolos.
Um bom ano a todos os tantaproseanos e a todos os leitores (as) do tantaprosa, ano que vem tem mais...E dizem as más línguas que o Tio vinix vai matar um boi pelo novo ano, veremos.



O Romance Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra de (2003)Mia Couto desenrola-se no cenário de Luar-do-Chão uma terra criada pelo escritor cercada por um rio que carrega extrema importância do começo ao fim da narrativa.
Diferentemente de Terra Sonâmbula, que tem duas histórias que se entrelaçam, em Um rio chamado tempo uma casa chamada terra o cenário passa a ser o da ilha do começo ao fim.
Podemos pensar a todo instante que Luar-do-Chão é um ambiente muito semelhante à Moçambique pós-colonial e para evidenciar que esta história ocorre nesse período moçambicano de guerra civil, em que as pessoas estão sendo envolvidas pelo capitalismo, vemos necessidade de lucro obsessivo e a necessidade de transformar tudo em mercadoria para venda, as pessoas querem passar por cima das outras perdem seus valores e isso é evidenciado com o comportamento do Tio Ultímio, um dos filhos do falecido Dito Mariano, o patriarca da família.
Vale lembrar que a história inicia-se com a possível morte de Dito Mariano, os filhos do mesmo se mobilizando (Ultímio, Abstinêncio, Fulano Malta) os netos não se manifestam com excessão de Marianinho que larga os estudos da faculdade e vai a ilha de Luar-do-Chão para observar os últimos momentos de seu avô. Quem narra a história é Marianinho.
Ao chegar na ilha a avó Dulcineusa realiza todos os rituais possíveis e confirma diante de todos que a vontade de Dito Mariano era a de que Marianinho o enterrasse, por isso que fora chamado às pressas, olhares invejosos ocorrem com essa revelação da avó, e Marianinho aceita tal empreitada sem saber o porque. A verdade é que o corpo de Dito Mariano é velado do começo ao fim da narrativa e só enterrado por Marianinho quando todos as coisas mal resolvidas daquela família são resolvidas através das cartas mágicas enviadas por Dito Mariano falecido ao neto.
Marianinho é aquele que veio de fora para poder interagir na realidade local da ilha. Trata-se da representação do novo, da representação da nova casa, a tentativa de através do místico e da volta ao passado reconstruir os valores perdidos na família e na sociedade como os de justiça, sinceridade, fortalecendo as crenças de que um futuro melhor e diferente é possível para os seres humanos daquele local.
As cartas assinadas por seu avô são inusitadas para Marianinho e com o passar da trama o leitor percebe que só o neto conseguia ler as cartas e em tom confessional o avô Dito Mariano revelava coisas sobre os familiares, verdades escondidas inclusive sobre a verdadeira origem do neto e de seus familiares. Trata-se mais uma narrativa em que o Realismo Mágico se faz presente em Mia Couto, como já ocorrera em Terra Sonâmbula (1995).
Vale a pena ler, em uma tacada quem pega lê o livro e fica pensando mais uns dois dias sobre a história que inteligentemente é construída por Mia Couto.
Duas passagens pra criar mais um gostinho:

No fim da narrativa duas passagens são me chamaram a atenção, a primeira é um diálogo entre Marianinho e o tio Ultímio o ganancioso, após o enterro do avô Dito Mariano:

-Vai sair tio?
- Vou. Mas volto logo para tratar da compra da Nyumba-Kaya.
- O tio não entendeu que não pode comprar a casa velha?
- Pois, escute bem, eu vou comprar com meu dinheiro. Essa casa vai ser minha.
- Essa casa nunca será sua, Tio Ultímio.
- Ai não?! E porquê?, posso saber?
- Porque essa casa sou eu mesmo. O senhor vai ter que me comprar a mim para ganhar posse da casa. E para isso, Tio Ultímio, para isso nenhum dinheiro é bastante. (P.249)


e na página 247 como as coisas se estabeleceram:


Regresso a Nyumba-Kaya. A cozinha se enche de luminosidade e, junto ao fogão, estão sentadas a Avó Dulcineusa e a Tia Admirança. Estão contemplando o álbum de família (...)
A casa tinha reconquistado raízes. Fazia sentido, agora, aliviá-la das securas. Admirança se levanta, me segura as mãos e fala em suspiro como se estivesse recitando sagrado:
- Já falamos com Fulano, ele vai-se mudar para aqui, para Nyumba-Kaya. Ficamos guardadas, fique descansado. E a casa fica guardada também.

5 comentários:

Anônimo disse...

éfoda.
acho q to precisando de férias.

Anônimo disse...

tenho certeza que preciso de férias

Anônimo disse...

ainda to precisando de férias

Tio Vinix disse...

tira essas férias logo porra(mas eu não empresto o carro, RÁ!)

Anônimo disse...

vou cantar aquela musica da ivete zagalo pra vc titio...
quer andar de carro velho?

vou "de a pé" tirar as minhas férias vai vendo, mas valeu pelo esforço.