sexta-feira, 21 de dezembro de 2007



Ao lermos Terra Sonâmbula, observamos que as duas histórias que se cruzam ocorrem em ambientes distintos. A história de Tuahir (um velho) e Muidinga (uma criança) ocorrem em uma estrada em que a mudança dos cenários é observada de tempos em tempos por Muidinga. O velho Tuahir não consegue notar essa transitoriedade dos cenários, mesmo estando os dois parados dentro de um autocarro (machimbombo) incendiado, Muidinga percebe que há mudanças.
“Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada. Pelos caminhos só as hienas se arrastavam.” (p.10). Essa composição inicial do livro é importante para explicar ao leitor que Mia Constrói seu romance em um cenário conturbado. As afirmações do narrador se desenrolam com intuito de caracterizar o velho, o menino, o local em que estão e o tempo em que estão vivendo.
“O jovem se chama Muidinga. Caminha a frente desde que saíra do campo de refugiados” (p.10). Com o passar das páginas do romance, podemos observar as características da escrita de Mia Couto. Entendemos que trata-se de um romance que apresenta como pano de fundo Moçambique e os acontecimentos daquela realidade, com intuito de apontar os valores existentes nesse período conturbado do pós-guerra colonial.
Enquanto Muidinga e Tuahir esparramam-se num autocarro queimado (machimbombo) para descansarem e fazerem de lá a morada ideal contra emboscadas na estrada, encontram dentro do autocarro cadáveres de uma explosão recente e são obrigados a enterrar os mortos. Muidinga acha uma mala ao lado do corpo de um dos mortos experimenta abri-la com auxílio do velho Tuahir e encontram um caderno de anotações do jovem Kindzu. O caderno apresenta-se em primeira pessoa, diferentemente da história de Muidinga e Tuahir que apresenta uma narrador em terceira pessoa que vai tramando e colocando o leitor a par de tudo.
Os cadernos de Kindzu fazem os capítulos do livro e vão influenciando os leitores Muidinga e Tuahir tanto até chegar ao ponto em que as duas histórias se cruzam e passam a existir no mesmo cenário.
Kindzu inicia seus cadernos coma descrição de lugares como: aldeia em que viveu sua infância levando relações familiares agradáveis. Com sua partida dessa aldeia na tentativa de tornar-se um naparama (guerreiro feiticeiro) descobre personagens, com os quais se relaciona em diversos cenários.
Observamos portanto que Kindzu inicia uma caminhada embusca de algo, uma fuga de sua realidade para atingir seu objeto almejado, busca o seu objeto de valor: ser um naparama. Kindzu tem o desejo de tentar acabar com a guerra como esclarece a seu falecido pai (Taímo) numa conversa rodeada de misticismos.


Vale a pena conferir, andaram me dizendo sobre o filme baseado no livro, sei não...é melhor ler o romance.
É bom esclarecer para quem não conhece Mia Couto, que estamos falando de um baita escritor moçambicano branco e que é confundido algumas vezes por mulher, pelo nome que carrega.
Reza a lenda que mandaram um vestido de presente pelos seus excelentes textos e ele enviou uma carta dizendo "muito obrigado minha mulher vai adorar" (hahaha)...Se der ainda hoje falo de um outro romance dele, de qualquer forma semana que vem tem mais.


Mia Couto de perfil.

2 comentários:

Tio Vinix disse...

ce precisa socializar esses livros rapaz... muito boa essa história hein

Tatu disse...

aliás, cadê meu contos negreiros pô!

essa história é boa mesmo, vc não viu a outra que vem semana que vem, vai vendo.

abraço.