quarta-feira, 16 de abril de 2008

Quarta MeiaEntrada - O que é o amor hoje em dia na música brasileira?


Seria isso?


Zeca Baleiro - Mundo dos negócios

baby vem viver comigo no mundo dos negócios

traz o teu negócio junto ao meu negócio

vamos viver do comércio barato de poemas de amor

baby o que mais importa

a poesia está morta mas juro qua não fui eu

tudo à minha volta são reclames

desejos vãos e sóis

tudo à minha volta são reclames

desejos vãos e só

baby vamos ao cinema a vida é cinema

já vi esse filme sempre o mesmo filme

canções de amor se parecem porque não existe outro amor

("Cidades vertiginosas, edifícios a pique, Torres, pontes, mastros, luzes, fios, apitos, sinais. Sonhamos tanto que o mundo não nos reconhece mais, As aves, os montes, as nuvens não nos reconhecem mais, Deus não nos reconhece mais.")


Ou isso?


Luiz Tatit/Dante Ozzetti - Nosso amor


Se falei de você só falei por falar(não tinha mais de quem falar)

Só sonhei com você pois não pude evitar(temos que sonhar)

Se fiquei com você só fiquei por ficar(quem fica fica por ficar)

Se aceitei seu amor aceitei sem pensar(não sei recusar)

Se ainda estou com você inda estou por estar

Nosso amor afinal não tem nada de especial

Não é paixão não é fatal

Não é assim essencial

Nem é só sentimento circunstancial

Não é tanta coisa mas é tão legal!

Infeliz de quem vem até aqui me buscar(quem busca adora rebuscar)

E me vê com você vendo o tempo passar(é só o que verá)

Sem saber se esse amor inda vai decolar(se cola pode decolar)

Eu por mim tudo bem deixo assim como está

Nosso amor se tornou uma história singular

É só calor e se calar é só compor sem cantar

Nosso amor se espreguiça só quer vadiar

Vai passando os dias sem se entediar...

Uma das dúvidas típicas que ficam no ar:

Como que um amor que não quer nada pode continuar?

Nosso amor não cansa de durar

Sempre foi assim sempre será

Não se pode esperar muito disso mas também por que esperar?

Se falei de você só falei por falar(não tinha mais de quem falar)

Se fiquei com você só fiquei por ficar(quem fica fica por ficar)

Infeliz de quem vem até aqui me buscar(quem busca adora rebuscar)

Sem saber se esse amor inda vai decolar(se cola pode decolar)


Ou talvez isso?


Paulinho Moska - Do amor


Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor. Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta. A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O AMOR está em movimento eterno, em velocidade infinita. O amoré um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?

Minha resposta? O amor é o desconhecido.

Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O amor brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a Vida é feita. Ou melhor, só se Vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.




Olha, eu não sei resposta não... vocês que dêem as suas.

3 comentários:

Anônimo disse...

Adorei seu blog..mil bjs

Mixirico disse...

Tenho que deixar esta:

"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos


Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização


Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você"

Beijos

Elton disse...

Esse coração exposto, pra ser comido:

Ela comeu meu coração
Trincou,mordeu,mastigou,engoliu,comeu
Comeu
Ela comeu meu coração
Mascou,moeu,triturou,deglutiu,comeu
Comeu
Ela comeu meu meu coração de galinha no xinxim
Ai de mim!
Ela comeu meu coração de leão naquele sonho medonho
E ainda me disse que é assim que se faz
Um grande poeta

Caetano - só pra gente ficar no velho fla x flu chico x caetano