segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Quarta MeiaEntrada (na Segunda) - O básico da MPB VIII
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Quarta MeiaEntrada
terça-feira, 25 de março de 2008
O básico Da MPB VI
Tom Jobim (a escolha do freguês)
quarta-feira, 5 de março de 2008
Quarta MeiaEntrada – O Básico da MPB V
Racionais Mc's" Sobrevivendo no Inferno" 1997
O barato é o seguinte mano, se cê acha que Rap é coisa de favelado e os cambau tá mó errado. Se fosse, os maluco que eu vou por na roda aqui não tinham vendido 1 MILHÃO DE CÓPIAS¹ desse disco que é na moral, o melhor disco de Rap da história do Brasil, e não foi só na Favela que esse disco vendeu. Os caras tavam inspirados nesse disco e deram uma aula pros mano e pros Playba de como falar da miséria e da periferia, fazendo um esquema de transformar as letras tipo numas crônicas, em histórias que falam do povo que tá na margem do real (chama aê de marginal se você preferir, boy) e provou que “Periferia é periferia em qualquer lugar²”, certo? Sem contar que abriu o mercado do Rap nacional pras gravadora e descolou o rótulo que os patrão punha no gênero, de que o RAP era pobre em rima e que tinha que ter um branco fazendo Rap pra vender (estava provada a diferença entre “ser pensador e ser da rua onde é a lei da bala³”). Tudo o que o Mano Brown, o Ice Blue e o Edy Rock falam no disco é o retrato do que é ser de um mundo que não é mundo das Mina-Coisa-Fina que o malandro quer pegar nas balada. As mina não é, mas todas elas ouviram e prestaram atenção em “Diário de um detento”, em “Mundo mágico de Oz” e por aí vai.Os caras foram beber lá na fonte de de São Jorge Ben e botaram de volta na cena o som que sempre fez mais sucesso no Brasil: O som do preto pobre que relata o que vive com o coração e com todo o ódio que a vida dá pra quem é estigmatizado e sistematizado, ou o samba também não é isso? Pena que ainda não surgiu ninguém que fosse na dos caras e chegasse a bater na porta do sucesso, mesmo porque depois dos caras terem vendido aquela caralhada de Cd que venderam sem apoio de nenhuma gravadora grande(a grande maioria do Cd’s foram vendidos nos shows, bailes da comunidade e em Camelôs) os patrão ficaram com o pé atrás. É básico porque é a evolução da Música Preta no Brasil, é um divisor de águas na visão crítica do RAP merecendo até referência no Dicionário Cravo Albin de Música, é firmeza e merece um salve.
1- Em alguns lugares você vai ver 500 mil cópias, mas eu confio mais nas contas dos próprios Racionais, que falam em 1 milhão, contabilizando as cópias piratas.
2- Trecho e título de uma música do Edy Rock que está nesse disco.
3- Sistema Negro, “Bem vindos ao inferno”
PS: Se algum PASQUALE da vida vier encher o saco, eu recomendo que leia antes a entrevista do Marcos Bagno na Caros Amigos desse mês. Fui.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Quarta MeiaEntrada - O básico da MPB IV
Paulinho Da Viola"Bebadosamba"
Não senhor.
O senhor vai ouvir Paulinho da Viola.
E sabe por que Paulinho? Porque as respostas estão lá. Todas as respostas aos seus anseios de samba. O Paulinho tudo sabe e tudo te explica, quer ver?
Ta vendo? Você acha que precisa saber de mais alguma coisa sobre o amor nessa vida?
“Um mestre do verso, de olhar destemido, disse uma vez, com certa ironia:
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Quarta meiaEntrada - O Básico da MPB III
NOVOS BAIANOS "Acabou Chorare"
Esse é um clássico, talvez o mais básico entre os “básicos” dessa lista. Tem muito de João Gilberto nesse disco, muita influência e, diga-se de passagem, é muito melhor ouvir quem pensa em João Gilberto do que ouvir o que o João pensa. É disco mais comedido do que muitos pensam (incluo aqui pra fazer parzinho com as mocinhas de saia rodada e todo o resto que eu to de saco cheio de repetir, mocinhos que falam manso, tem a barba malfeita e cabelo comprido e que também usam pouca maquiagem entre os que pensam, se é que pensam). Uma boa pra você soltar numa rodinha repleta desses mocinhos e mocinhas é que a influência do João foi muito mais direta do que se imagina, pois na época desse disco a maior parte dos Novos Baianos morava no rio, no mesmo hotel onde morava o João e eles trocaram muitas informações musicais durante a gravação de “Acabou Chorare”. Os violões mais contidos nesse disco (perceba ao ouvir, a suavidade da faixa que dá título ao disco) refletem essa troca de informações. Aproveite também e mostre aos mocinhos de fala mansa, barba mal feita, cabelo comprido e pouca maquiagem que você não se limita a ficar fechado no Brasil e que sabe que esse disco também é considerado o melhor disco de música brasileira de todos os tempos pela Rolling Stone. Desse disco é possível dizer também que há a ratificação do termo “Baianidade” e todos as suas ramificações, para mal e para bem. Merece bastante atenção a versão de “Brasil-Pandeiro” (um samba dos anos 40 do também baiano Assis Valente), a magnífica “Mistério do Planeta, talvez a melhor composição da banda, e a clássica “Preta Pretinha”. O Pepeu Gomes estava na melhor fase dele, é só isso já seria o suficiente pra torna “Acabou Chorare” básico.
Outra curiosidade: O título do disco e da faixa dentro do disco se refere a filha do Galvão (letrista da banda), que vivia junto com o Novos Baianos, que por sua vez vivam juntos de muitos bolivianos, chilenos e outros latino-americanos, numa espécie de comunidade Hippie. A menina, na época com 2 ou 3 anos aprendia suas primeiras palavras em português e castelhano ao mesmo tempo, fazendo uma mistura das duas línguas, adicionada a sua própria interpretação criativa. Numa manhã, a menina se assustou ao ver uma abelha entrar em seu quarto. Socorrida pelo pai, ao se acalmar dizia a ele: “acabou chorare, pai”. A letra da música é justamente uma brincadeira com o modo de falar de menina.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Quarta MeiaEntrada - O básico da MPB II
Antes de dar continuidade ao listão do tiozão, uma correção (aeee Elton!!!): O disco com um pão na capa do Chico Buarque que eu citei no últimos post se chama “Chico Buarque en Español” e logicamente tem suas músicas em espanhol, não em italiano, como eu erroneamente tinha dito.
Agora, voltando ao básico e aproveitando o gancho:
CHICO BUARQUE “Almanaque”
Esse é o grande disco do cara. Os clássicos mais famosos dele não estão aqui, mas essa lista não é lista de perfumaria, pra você sair cantando “Cotidiano” e achar que manja de Chico, aqui a brincadeira é séria. A importância desse disco está no seu todo. Ele é todo bom e, não sei se conscientemente, faz um perfeito resumo da capacidade do Chico como compositor. Tem um samba que é uma crônica social pitoresca (Meu Guri), tem as canções de amor com o acabamento estético que só o Chico sabe dar (Vitrines e Moto Contínuo) e tem o som mais particular que, a partir justamente desse disco de 1982 viria a ser o tipo de som que caracterizaria o Chico Buarque consagrado como Mito, não mais só como estrela da MPB. Prova disso nesse disco são a canções “Ela é Dançarina” e “Tanto Amar”, cuja forma de arranjo e estilo seriam as bases para a concretização de álbuns como “Chico Buarque” de 1989 e “Paratodos” de 1994, o ápice do Chico-Mito. Daí pra frente ele entra em queda livre, mas isso é assunto pra outro post. A virtude de “Almanaque”, contudo, é ser o disco que antecede o Chico-Mito, ou seja, antes de onze entre dez mocinhas de saia rodada, sandália e pouca maquiagem dizerem que dariam (a vida) pro filho do Serjão. Nessa época o cara ainda era obrigado a mostrar que era bom e tudo mais, aí você tem um disco muito mais bem acabado do que os posteriores. Ainda nesse disco você tem o Chico-Malandro, aquele compositor de sambinhas fáceis e populares que caiam na boca do povo e que foram deixados em segundo plano, quase esquecidos a partir da segunda metade dos anos de 1980. Eis nesse disco uma deliciosa amostra desse lado do Chico, com “Amor Barato”. Portanto, por ser um disco de transição na forma do Chico compor e por isso trazer junto quase todas as facetas do homem, esse disco é básico.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Quarta MeiaEntrada – O Básico Da MPB
Aí, você, pobre mortal que ouviu a Nova Brasil FM esses dias e achou que tem umas músicas legaizinhas lá. Então, depois disso você resolveu que ia saber um pouco mais de MPB, já que o repertório da Nova Brasil se esgota em 2 dias... Aí você foi numa loja grande, tipo FNAC e chegou no vendedor “O maluco, tem MPB aí?” Aí o cara deu uma risadinha besta e falou “Teeeeem, tá aqui” e te apontou um QUARTEIRÃO de CD’s de todas as formas e cores e preços. Perceba que você ficou com duas opções: Ou vai no afã e leva tudo o que você já ouviu falar (tipo um Oswaldo Montenegro, um Celso Viáfora e um Benito de Paula, e pra fazer um média um disco do Chico com um pão na capa... Legal vai ser quando você chegar em casa e descobrir que nesse disco o cara ta cantando em ITALIANO), ou chora, com aquela cara de “fodeu!”
Calma.
Resolvi, do alto da minha arrogância, enquanto a inspiração pra um texto sobre o Caetano e o Chico que já ta virando lenda não vem, fazer um lista com o BÁSICO DA MPB PARA INICIANTES (Música Triunfal ao fundo)!!!! Uma lista com os discos mais relevantes do gênero, pra você procurar, ouvir e saber se a sua praia é MPB mesmo.
Algumas questão latentes:
Eles serão fáceis de achar? Nem sempre, mas a maioria é clássico ou seja, está em catálogo.
É muita velharia? É. Se você acha que o supra sumo da nata da fina-flor da MPB é a CÉU, porque é toda modernosa, nem termina o texto.
Dá pra eu botar uma banca ouvindo todos eles? OOOOO SE DÁ. Sim, dá pra você chegar na baladinha e se gabar com a mocinhas na boa. Ao contrário também, mocinhas. Agora vamos aos discos, que eu vou numerar, mas só por organização, pois pra mim eles tem relevância quase igual.
1- Itamar Assumpção
Agora parando de graça e falando um pouco sério, em 1981 quando esse disco foi lançado, não fez sucesso. Alguns anos depois do seu lançamento também não. Quando Itamar veio a falecer em 2003, ele continuou sem fazer sucesso. E pelo jeito nunca vai fazer. Então se liga e vai atrás dele, porque esse disco é sim um dos mais importantes da música brasileira. Pela inovação na temática urbana das composições, pela teatralidade das interpretações, pela complexidade dos arranjos. Cada música é uma aula de como se fazer um bom disco utilizando todos os elementos regionais misturados com as novidades dos gêneros de sucesso ou seja, exatamente o que a geração mais recente da MPB faz hoje em dia. Esse disco é base pra formação de vários artistas direta ou indiretamente, entre eles Cássia Eller, Titãs, Zélia Duncan, Zeca Baleiro, Chico Cesar, Mônica Salmaso, Karnak, a própria Céu. Fez parte do que do que foi chamado pela crítica de movimento, mas não o foi de fato: A Lira Paulistana. Nesse movimento também eram incluídos Arrigo Barnabé e Rumo por exemplo. Mas esse disco foi com certeza o mais importante desse movimento que não foi. Dançante, divertido, delicioso. Obviamente básico.
