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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Quarta MeiaEntrada (na Segunda) - O básico da MPB VIII

Milton Nascimento























Minas (1975) e Geraes (1976)






Houve uma edição um tanto difícil de se encontrar onde esses dois disco que se completam foram lançados como um ábum duplo, mas o mais fácil é você encontrá-los separados, o que não impede de que eu os coloque aqui como complemento um do outro e Básicos.



O grande diferencial desses dois disco está na técnica e na gravação. Como diria o presidente, nunca antes na história da música brasileira um disco havia sido tão bem gravado e tinha utilizado tantos recursos inovadores, tais como uma faixa de introdução, um tema de uma determinada música que está presente entre as faixas (no caso, a música "Paula e Bebeto", que ecooa entre uma faixa e outra de "Minas") e também a música brasileira foi para além das suas fronteiras, com a participação dos chilenos do grupo Água e da argentina Mercedes Sosa (em "Gerais") . A geração de músicos que participou dessa gravação também foi uma coisa rara. Novelli, Toninho Horta, Beto Guedes, Robertinho Silva, Fafá de Belém. Quando relançados em CD, esses discos foram remasterizados pela Abbey Road, só. Outro salto musical como esse por aqui só foi dado com o Mangue Beat. Fundamental para entender os caminhos da canção tupiniquim não como pequenas peças, mas como unidade, como os caminhos da serra da mantiqueira, onde cada pequena cidade é uma pequena história e cada pequena história é Minas, o Brasil e a América Latina.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Quarta MeiaEntrada

O básico da MPB VII – Caetano veloso





Transa -1972



O melhor disco que o Caetano já lançou. SÓ ISSO. O que possibilitou isso foram vários fatores: O sujeito homem estava exilado em Londres e tinha que ganhar dinheiro ou seja, tinha que fazer uma coisa boa. Estando em Londres também tinha acesso a muitas outras influencias de forma mais completa, além de ter Jards Macalé como produtor e arranjador do disco. A referencia que ele faz a “The Long Way Winding Road” dos Beatles na faixa “It’s a Long Way” é antológica. Apesar da maior parte das músicas serem em inglês, destaco a faixa “Triste Bahia”, onde o compositor musicou um poema de Gregório de Mattos com extrema felicidade. Os improvisos que se seguem nessa faixa e em outras faixas do disco também podem ser considerados de certa forma inovadores, pois fazem uma comunhão do improviso aqui já tradicional do jazz com a tradição das festas nordestinas, onde um determinado cantador improvisa um mote sobre um determinado gênero ou sobre o mesmo rítmo desfia várias cantigas folclóricas diferentes, imputando na improvisação algo novo, pelo menos para os gringos. Esse é uma disco para ser ouvido com calma e várias vezes, pela sua riqueza em detalhes, além de importancia que ele tem na própria formação do Caetano, pois a partir daí ele passa a gravar os violões em suas músicas, o que ele não fazia antes do exílio, pois como não era considerado um bom instrumentista pelo produtores brasileiros e não tocava violão de uma forma tradicional. O título do disco é uma resposta irônica aos militares que, ao permitirem que Caetano viesse ao Brasil em 1971 para assistir a festa de 40 de casamento dos seus pais, pediram que ele compusesse uma música em homenagem a rodovia Transamazônica, que estava sendo construída. Básico porque a música brasileira de hoje é 60% Caetano Veloso (raríssimos os artistas que não tenham sido influenciados por ele) e “Transa” é 90% do que Caetano se tornaria nos anos 70 e 80 do século XX.

terça-feira, 25 de março de 2008

O básico Da MPB VI

Tom Jobim (a escolha do freguês)



Lembra o vendedor meninão da FNAC? Imagina você, jovem desbravador da misteriosa MPB juntando uma grana, juntando mais um pouco, mais um pouco... Aí você chega lá na loja e fala pro vendedor: “TEM TOM JOBIM?”, o cara vai olhar pra sua cara com a mesma cara que olhou lá quando você foi lá perguntar de MPP e talz... E vai voltar com uns 15 Cds e um sorriso maroto(tipo pagodeiro mesmo). Aí sabe o que você diz pra ele? “LEVO TUDO!!!”. E sabe por que? Porque Tom Jobim é que nem o Evair batendo batendo penalti: Não tem erro. Tudo, absolutamente tudo o que o Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (aprendeu mais essa boy?) gravou é bom, é mais que bom, é do caralho, é a música roçando a perfeição. Pra ninguém falar que eu sou ruim eu deixo a minha dica de disco preferido (vai que você está desempregado que nem eu e aí pra só dá pra juntar sorriso amarelo...), que é “Passarim” de 1987, uma aula de música pra qualquer ouvido.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Quarta MeiaEntrada – O Básico da MPB V

Racionais Mc's
" Sobrevivendo no Inferno" 1997


O barato é o seguinte mano, se cê acha que Rap é coisa de favelado e os cambau tá mó errado. Se fosse, os maluco que eu vou por na roda aqui não tinham vendido 1 MILHÃO DE CÓPIAS¹ desse disco que é na moral, o melhor disco de Rap da história do Brasil, e não foi só na Favela que esse disco vendeu. Os caras tavam inspirados nesse disco e deram uma aula pros mano e pros Playba de como falar da miséria e da periferia, fazendo um esquema de transformar as letras tipo numas crônicas, em histórias que falam do povo que tá na margem do real (chama aê de marginal se você preferir, boy) e provou que “Periferia é periferia em qualquer lugar²”, certo? Sem contar que abriu o mercado do Rap nacional pras gravadora e descolou o rótulo que os patrão punha no gênero, de que o RAP era pobre em rima e que tinha que ter um branco fazendo Rap pra vender (estava provada a diferença entre “ser pensador e ser da rua onde é a lei da bala³”). Tudo o que o Mano Brown, o Ice Blue e o Edy Rock falam no disco é o retrato do que é ser de um mundo que não é mundo das Mina-Coisa-Fina que o malandro quer pegar nas balada. As mina não é, mas todas elas ouviram e prestaram atenção em “Diário de um detento”, em “Mundo mágico de Oz” e por aí vai.Os caras foram beber lá na fonte de de São Jorge Ben e botaram de volta na cena o som que sempre fez mais sucesso no Brasil: O som do preto pobre que relata o que vive com o coração e com todo o ódio que a vida dá pra quem é estigmatizado e sistematizado, ou o samba também não é isso? Pena que ainda não surgiu ninguém que fosse na dos caras e chegasse a bater na porta do sucesso, mesmo porque depois dos caras terem vendido aquela caralhada de Cd que venderam sem apoio de nenhuma gravadora grande(a grande maioria do Cd’s foram vendidos nos shows, bailes da comunidade e em Camelôs) os patrão ficaram com o pé atrás. É básico porque é a evolução da Música Preta no Brasil, é um divisor de águas na visão crítica do RAP merecendo até referência no Dicionário Cravo Albin de Música, é firmeza e merece um salve.

1- Em alguns lugares você vai ver 500 mil cópias, mas eu confio mais nas contas dos próprios Racionais, que falam em 1 milhão, contabilizando as cópias piratas.
2- Trecho e título de uma música do Edy Rock que está nesse disco.



3- Sistema Negro, “Bem vindos ao inferno”

PS: Se algum PASQUALE da vida vier encher o saco, eu recomendo que leia antes a entrevista do Marcos Bagno na Caros Amigos desse mês. Fui.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Quarta MeiaEntrada - O básico da MPB IV

Paulinho Da Viola

"Bebadosamba"




A moda é samba. A Molecada quer samba. A baladinha cabeça tem que ter samba. Porra, e você com isso, meu pobre desbravador da MPB??? Vai sair por aí dizendo pras mocinhas que o mundo é um moinho? Que você gosta de Maria Rosa mas quem te quer é Rosa Maria? Que toda rosa tem espinho e espinho não machuca a flor?
Não senhor.
O senhor vai ouvir Paulinho da Viola.
E sabe por que Paulinho? Porque as respostas estão lá. Todas as respostas aos seus anseios de samba. O Paulinho tudo sabe e tudo te explica, quer ver?



“Ame Seja como for



Sem medo de sofrer



Pintou desilusão



Não tenha medo não



O tempo poderá lhe dizer



Que tudo



Traz alguma dor



E o bem de revelar



Que tal felicidade



Sempre tão fugaz



A gente tem que conquistar”

Ta vendo? Você acha que precisa saber de mais alguma coisa sobre o amor nessa vida?






O cara sabe tudo. No disco em questão ele alcança a excelência nas letras e nas harmonias, seja no humor ácido ao tratar de um fim de relacionamento(“memórias conjugais”), seja ao falar da incondicional e eterna paixão a sua escola de samba (Porteeeeela...PORTEEELA!!), seja ao falar do samba em si. Se desse pra definir realmente o samba que é uma coisa tão ampla em um único disco, provavelmente seria esse. Esse disco tem umas das frases que eu mais gosto de ouvir:

“Um mestre do verso, de olhar destemido, disse uma vez, com certa ironia:



Se lágrima fosse de pedra eu choraria”



Perfeito.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Quarta meiaEntrada - O Básico da MPB III

NOVOS BAIANOS


"Acabou Chorare"
Esse é um clássico, talvez o mais básico entre os “básicos” dessa lista. Tem muito de João Gilberto nesse disco, muita influência e, diga-se de passagem, é muito melhor ouvir quem pensa em João Gilberto do que ouvir o que o João pensa. É disco mais comedido do que muitos pensam (incluo aqui pra fazer parzinho com as mocinhas de saia rodada e todo o resto que eu to de saco cheio de repetir, mocinhos que falam manso, tem a barba malfeita e cabelo comprido e que também usam pouca maquiagem entre os que pensam, se é que pensam). Uma boa pra você soltar numa rodinha repleta desses mocinhos e mocinhas é que a influência do João foi muito mais direta do que se imagina, pois na época desse disco a maior parte dos Novos Baianos morava no rio, no mesmo hotel onde morava o João e eles trocaram muitas informações musicais durante a gravação de “Acabou Chorare”. Os violões mais contidos nesse disco (perceba ao ouvir, a suavidade da faixa que dá título ao disco) refletem essa troca de informações. Aproveite também e mostre aos mocinhos de fala mansa, barba mal feita, cabelo comprido e pouca maquiagem que você não se limita a ficar fechado no Brasil e que sabe que esse disco também é considerado o melhor disco de música brasileira de todos os tempos pela Rolling Stone. Desse disco é possível dizer também que há a ratificação do termo “Baianidade” e todos as suas ramificações, para mal e para bem. Merece bastante atenção a versão de “Brasil-Pandeiro” (um samba dos anos 40 do também baiano Assis Valente), a magnífica “Mistério do Planeta, talvez a melhor composição da banda, e a clássica “Preta Pretinha”. O Pepeu Gomes estava na melhor fase dele, é só isso já seria o suficiente pra torna “Acabou Chorare” básico.
Outra curiosidade: O título do disco e da faixa dentro do disco se refere a filha do Galvão (letrista da banda), que vivia junto com o Novos Baianos, que por sua vez vivam juntos de muitos bolivianos, chilenos e outros latino-americanos, numa espécie de comunidade Hippie. A menina, na época com 2 ou 3 anos aprendia suas primeiras palavras em português e castelhano ao mesmo tempo, fazendo uma mistura das duas línguas, adicionada a sua própria interpretação criativa. Numa manhã, a menina se assustou ao ver uma abelha entrar em seu quarto. Socorrida pelo pai, ao se acalmar dizia a ele: “acabou chorare, pai”. A letra da música é justamente uma brincadeira com o modo de falar de menina.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Quarta MeiaEntrada - O básico da MPB II

Antes de dar continuidade ao listão do tiozão, uma correção (aeee Elton!!!): O disco com um pão na capa do Chico Buarque que eu citei no últimos post se chama “Chico Buarque en Español” e logicamente tem suas músicas em espanhol, não em italiano, como eu erroneamente tinha dito.
Agora, voltando ao básico e aproveitando o gancho:


CHICO BUARQUE




“Almanaque”

Esse é o grande disco do cara. Os clássicos mais famosos dele não estão aqui, mas essa lista não é lista de perfumaria, pra você sair cantando “Cotidiano” e achar que manja de Chico, aqui a brincadeira é séria. A importância desse disco está no seu todo. Ele é todo bom e, não sei se conscientemente, faz um perfeito resumo da capacidade do Chico como compositor. Tem um samba que é uma crônica social pitoresca (Meu Guri), tem as canções de amor com o acabamento estético que só o Chico sabe dar (Vitrines e Moto Contínuo) e tem o som mais particular que, a partir justamente desse disco de 1982 viria a ser o tipo de som que caracterizaria o Chico Buarque consagrado como Mito, não mais só como estrela da MPB. Prova disso nesse disco são a canções “Ela é Dançarina” e “Tanto Amar”, cuja forma de arranjo e estilo seriam as bases para a concretização de álbuns como “Chico Buarque” de 1989 e “Paratodos” de 1994, o ápice do Chico-Mito. Daí pra frente ele entra em queda livre, mas isso é assunto pra outro post. A virtude de “Almanaque”, contudo, é ser o disco que antecede o Chico-Mito, ou seja, antes de onze entre dez mocinhas de saia rodada, sandália e pouca maquiagem dizerem que dariam (a vida) pro filho do Serjão. Nessa época o cara ainda era obrigado a mostrar que era bom e tudo mais, aí você tem um disco muito mais bem acabado do que os posteriores. Ainda nesse disco você tem o Chico-Malandro, aquele compositor de sambinhas fáceis e populares que caiam na boca do povo e que foram deixados em segundo plano, quase esquecidos a partir da segunda metade dos anos de 1980. Eis nesse disco uma deliciosa amostra desse lado do Chico, com “Amor Barato”. Portanto, por ser um disco de transição na forma do Chico compor e por isso trazer junto quase todas as facetas do homem, esse disco é básico.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Quarta MeiaEntrada – O Básico Da MPB

Aí, você, pobre mortal que ouviu a Nova Brasil FM esses dias e achou que tem umas músicas legaizinhas lá. Então, depois disso você resolveu que ia saber um pouco mais de MPB, já que o repertório da Nova Brasil se esgota em 2 dias... Aí você foi numa loja grande, tipo FNAC e chegou no vendedor “O maluco, tem MPB aí?” Aí o cara deu uma risadinha besta e falou “Teeeeem, tá aqui” e te apontou um QUARTEIRÃO de CD’s de todas as formas e cores e preços. Perceba que você ficou com duas opções: Ou vai no afã e leva tudo o que você já ouviu falar (tipo um Oswaldo Montenegro, um Celso Viáfora e um Benito de Paula, e pra fazer um média um disco do Chico com um pão na capa... Legal vai ser quando você chegar em casa e descobrir que nesse disco o cara ta cantando em ITALIANO), ou chora, com aquela cara de “fodeu!”

Calma.

Resolvi, do alto da minha arrogância, enquanto a inspiração pra um texto sobre o Caetano e o Chico que já ta virando lenda não vem, fazer um lista com o BÁSICO DA MPB PARA INICIANTES (Música Triunfal ao fundo)!!!! Uma lista com os discos mais relevantes do gênero, pra você procurar, ouvir e saber se a sua praia é MPB mesmo.
Algumas questão latentes:

Eles serão fáceis de achar? Nem sempre, mas a maioria é clássico ou seja, está em catálogo.

É muita velharia? É. Se você acha que o supra sumo da nata da fina-flor da MPB é a CÉU, porque é toda modernosa, nem termina o texto.

Dá pra eu botar uma banca ouvindo todos eles? OOOOO SE DÁ. Sim, dá pra você chegar na baladinha e se gabar com a mocinhas na boa. Ao contrário também, mocinhas. Agora vamos aos discos, que eu vou numerar, mas só por organização, pois pra mim eles tem relevância quase igual.

1- Itamar Assumpção






"Beleléu Leléu Eu"


Olha que legal pra se fazer: Você ta numa festinha e começa a conversar com uma mocinha, toda bonitinha. Ela chega pra você, e como a sua sandália, sua saia rodada e sua pouca maquiagem denunciam, diz que gosta de MPB. Você acha super legal ela gostar de MPB, ainda mais agora que você começou a achar graça no bagulho. É fato que com o apoio de uma mocinha bonitinha de sandália, saia rodada pouca maquiagem você vai se interessar muito mais pelo tema. Mas a mocinha percebe que você não conhece muito de MPB e começa a se crescer ( mal dessas mocinhas de sandália, saia rodada e pouca maquiagem) e você começa a se apequenar... Até lembrar da dica do Tio aqui e perguntar pra ela assim: “E o Primeiro disco do Itamar Assumpção, não é mó legal?” Você vai ver: As expressões dela vão variar de “????” a “?!?!?!?!”. Claro, se ela falar “Claro, inclusive os vocais da Vânia Bastos são muito bons” aí você pára. Pára e ouve, porque essa mocinha de sandália, saia rodada e pouca maquiagem que você encontrou tem algo a dizer. Mas é raro, posso garantir.
Agora parando de graça e falando um pouco sério, em 1981 quando esse disco foi lançado, não fez sucesso. Alguns anos depois do seu lançamento também não. Quando Itamar veio a falecer em 2003, ele continuou sem fazer sucesso. E pelo jeito nunca vai fazer. Então se liga e vai atrás dele, porque esse disco é sim um dos mais importantes da música brasileira. Pela inovação na temática urbana das composições, pela teatralidade das interpretações, pela complexidade dos arranjos. Cada música é uma aula de como se fazer um bom disco utilizando todos os elementos regionais misturados com as novidades dos gêneros de sucesso ou seja, exatamente o que a geração mais recente da MPB faz hoje em dia. Esse disco é base pra formação de vários artistas direta ou indiretamente, entre eles Cássia Eller, Titãs, Zélia Duncan, Zeca Baleiro, Chico Cesar, Mônica Salmaso, Karnak, a própria Céu. Fez parte do que do que foi chamado pela crítica de movimento, mas não o foi de fato: A Lira Paulistana. Nesse movimento também eram incluídos Arrigo Barnabé e Rumo por exemplo. Mas esse disco foi com certeza o mais importante desse movimento que não foi. Dançante, divertido, delicioso. Obviamente básico.