quinta-feira, 17 de abril de 2008

Quinze Minutos


Quinze minutos é o ápice do mundo contemporâneo. É o tempo necessário para se comunicar tudo a todos. É o tempo da internet, do blog, do programa de televisão. O ritmo acelerado do videoclipe que permeia nosso modo de ser, de falar, de se expressar, de pensar. Imagens aos montes entorpecem a mente dos jovens, causando alegria, êxtase e cansaço numa rapidez gritante, capaz de levar o ser ao vislumbre do nada. Somos a geração MTV. A geração do falar rápido e sem sentido. Do esboçar comportamentos múltiplos em questão de segundos, sem propósito algum. Cansados apenas em assistir televisão. Não nos surpreendemos com mais nada. Não nos causa estranhamento problemas, crises, misérias, solidão. Cultivamos o tempo do minuto, dando importância à estética, ao plástico acima de qualquer outro conteúdo. Nossa formação acaba aos vinte. Faculdades com três diplomas em dois anos. Broadcast até na hora de comer. Falta. Falta satisfação. A falta se transmuta em quantidade. Beijamos e saímos com muitos; entendemos poucos. Trabalhamos sem sentido algum. Trabalhamos para nós mesmos, sem construir algo duradouro. Sociedade com Q.I. de VJ.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Quarta MeiaEntrada - O que é o amor hoje em dia na música brasileira?


Seria isso?


Zeca Baleiro - Mundo dos negócios

baby vem viver comigo no mundo dos negócios

traz o teu negócio junto ao meu negócio

vamos viver do comércio barato de poemas de amor

baby o que mais importa

a poesia está morta mas juro qua não fui eu

tudo à minha volta são reclames

desejos vãos e sóis

tudo à minha volta são reclames

desejos vãos e só

baby vamos ao cinema a vida é cinema

já vi esse filme sempre o mesmo filme

canções de amor se parecem porque não existe outro amor

("Cidades vertiginosas, edifícios a pique, Torres, pontes, mastros, luzes, fios, apitos, sinais. Sonhamos tanto que o mundo não nos reconhece mais, As aves, os montes, as nuvens não nos reconhecem mais, Deus não nos reconhece mais.")


Ou isso?


Luiz Tatit/Dante Ozzetti - Nosso amor


Se falei de você só falei por falar(não tinha mais de quem falar)

Só sonhei com você pois não pude evitar(temos que sonhar)

Se fiquei com você só fiquei por ficar(quem fica fica por ficar)

Se aceitei seu amor aceitei sem pensar(não sei recusar)

Se ainda estou com você inda estou por estar

Nosso amor afinal não tem nada de especial

Não é paixão não é fatal

Não é assim essencial

Nem é só sentimento circunstancial

Não é tanta coisa mas é tão legal!

Infeliz de quem vem até aqui me buscar(quem busca adora rebuscar)

E me vê com você vendo o tempo passar(é só o que verá)

Sem saber se esse amor inda vai decolar(se cola pode decolar)

Eu por mim tudo bem deixo assim como está

Nosso amor se tornou uma história singular

É só calor e se calar é só compor sem cantar

Nosso amor se espreguiça só quer vadiar

Vai passando os dias sem se entediar...

Uma das dúvidas típicas que ficam no ar:

Como que um amor que não quer nada pode continuar?

Nosso amor não cansa de durar

Sempre foi assim sempre será

Não se pode esperar muito disso mas também por que esperar?

Se falei de você só falei por falar(não tinha mais de quem falar)

Se fiquei com você só fiquei por ficar(quem fica fica por ficar)

Infeliz de quem vem até aqui me buscar(quem busca adora rebuscar)

Sem saber se esse amor inda vai decolar(se cola pode decolar)


Ou talvez isso?


Paulinho Moska - Do amor


Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor. Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta. A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O AMOR está em movimento eterno, em velocidade infinita. O amoré um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?

Minha resposta? O amor é o desconhecido.

Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O amor brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a Vida é feita. Ou melhor, só se Vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.




Olha, eu não sei resposta não... vocês que dêem as suas.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Micro Terça Mochilão

Uma Charge Vale Mais do Que Mil Palavras!!!



Taí a minha opinião sobre os protestos pela libertação do Tibete que vêm acontecendo durante a passagem da tocha olímpica pelo mundo.

Idas e Vindas

Aviso aos leitores!!!

-O nosso querido Elton-Garotinho-Avon está entrando em recesso por tempo indeterminado devido a questões particulares e a nossa Segunda-Avon passará por algumas reformulações em decorrência disso.
- Em compensação, a Terça-Mochilão da Carol "Eu quero o meu guaraná Jesus!" Marossi está voltando logo logo...aguardem e verão..

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Confusão Público X Privado – O Caso UNB

E não é que a USP criou moda com a invasão de reitorias! Pois é, agora a UNB (Universidade de Brasília) é quem usa desse artifício para conquistar suas reivindicações. Eu confesso que, no inicio, fui contra a ocupação da mesma. Mas Ministro, o senhor não foi a favor da ocupação na USP? Por que foi contra à da UNB? É, acontece que a ocupação da reitoria na USP foi feita por questões internas à universidade. A luta era por melhores moradias, comida e reformas nos prédios de algumas faculdades. Em Brasília o problema era outro. O pedido de renuncia do reitor Timothy Mullholand envolve um escândalo de corrupção e mau uso do dinheiro público. Ou seja, os protestos não deveriam limitar-se ao espaço da UNB, porque não foi ela a única lesada. Greves e manifestações em toda cidade (como passeatas, por exemplo) seriam bem mais interessantes a meu ver. Mas tudo bem, os alunos da UNB acabaram reivindicando algo interno à instituição apenas (o uso do dinheiro para construção e reforma de moradia estudantil), o que por um lado legitimaria a invasão da reitoria, mas por outro afastaria a mesma universidade de uma participação mais ativa da sociedade em geral. Dessa forma presenciamos em Brasília os mesmos problemas que as universidades públicas de São Paulo enfrentam: falta de reconhecimento dos cidadãos sobre a importância e a necessidade de defenderem um patrimônio e instituição pública capaz de oferecer serviços de excelência a eles. Esse processo de não identificação da universidade com a sociedade a sua volta acaba por prejudicar em muito a legitimação dos atos em prol da luta por melhorias, ou por questões de corrupção mesmo, afinal a população além de não saber o que ocorre lá dentro, sequer consegue acesso à universidade. A chance que a UNB teve de usar um problema mais amplo (o uso de dinheiro público) para agregar seu espaço com a população de Brasília foi descartado, preferindo-se somente envolver órgãos e instituições ligados a atividade intelectual da mesma. É uma pena que uma oportunidade dessas acabou sendo deixada de lado. Agora resta ver se, através de suas forças internas apenas, a universidade conseguirá seus intentos (voltados somente a ela).

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Quarta MeiaEntrada

O básico da MPB VII – Caetano veloso





Transa -1972



O melhor disco que o Caetano já lançou. SÓ ISSO. O que possibilitou isso foram vários fatores: O sujeito homem estava exilado em Londres e tinha que ganhar dinheiro ou seja, tinha que fazer uma coisa boa. Estando em Londres também tinha acesso a muitas outras influencias de forma mais completa, além de ter Jards Macalé como produtor e arranjador do disco. A referencia que ele faz a “The Long Way Winding Road” dos Beatles na faixa “It’s a Long Way” é antológica. Apesar da maior parte das músicas serem em inglês, destaco a faixa “Triste Bahia”, onde o compositor musicou um poema de Gregório de Mattos com extrema felicidade. Os improvisos que se seguem nessa faixa e em outras faixas do disco também podem ser considerados de certa forma inovadores, pois fazem uma comunhão do improviso aqui já tradicional do jazz com a tradição das festas nordestinas, onde um determinado cantador improvisa um mote sobre um determinado gênero ou sobre o mesmo rítmo desfia várias cantigas folclóricas diferentes, imputando na improvisação algo novo, pelo menos para os gringos. Esse é uma disco para ser ouvido com calma e várias vezes, pela sua riqueza em detalhes, além de importancia que ele tem na própria formação do Caetano, pois a partir daí ele passa a gravar os violões em suas músicas, o que ele não fazia antes do exílio, pois como não era considerado um bom instrumentista pelo produtores brasileiros e não tocava violão de uma forma tradicional. O título do disco é uma resposta irônica aos militares que, ao permitirem que Caetano viesse ao Brasil em 1971 para assistir a festa de 40 de casamento dos seus pais, pediram que ele compusesse uma música em homenagem a rodovia Transamazônica, que estava sendo construída. Básico porque a música brasileira de hoje é 60% Caetano Veloso (raríssimos os artistas que não tenham sido influenciados por ele) e “Transa” é 90% do que Caetano se tornaria nos anos 70 e 80 do século XX.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tucano canta de galo, e põe fogo no ninho

Ao declarar que teve acesso a cópia do dossiê e que fora uma das fontes da revista Veja, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) fez “um gol contra”, como lamentou editorial do Estadão. A oposição colocava o governo nas cordas, FHC exigia a demissão de quem o teria produzido e eis que Álvaro Dias tenta cantar de galo e acaba favorecendo a argumentação do governo de que haveria um complô. Um bom resumo da história toda e das implicações do caso está no site da Carta Capital.
“Existe relação entre a ministra e o vazamento das informações? A Folha de S.Paulo de sexta-feira 28 de março afirmou em manchete que o braço direito de Dilma, Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, teria sido a responsável pelo suposto dossiê, mas não apresentou nenhuma prova contra a funcionária. E, por último, o mais relevante: quem pinçou as informações sobre os gastos de Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher, dona Ruth, do banco de dados da Casa Civil? Ou seja, se existe um dossiê, quem o fabricou?”
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=594
A questão é saber se houve vazamento de informação ou espionagem. Não sou especialista em área criminal, mas pelo que li o responsável pela divulgação dos dados sigilosos pode pegar de 1 a 4 anos de prisão. Carol, Julia?

Acabou-se o que era doce

Ontem a Folha publicou a última coluna de Mário Magalhães como ombudsman do jornal. O relato de sua saída é belíssimo e expõe os dilemas por que passam uma publicação que expõe a crítica que faz a si mesmo. O contrato com ele poderia ser renovado por mais um ano, mas a Folha condicionou sua permanência ao fim da exposição da crítica diária na Internet, ao que o jornalista foi contra. A coluna dominical do ombudsman permanece, mas a Folha retrocede ao impedir o acesso dos leitores à crítica diária.
O observatório da imprensa comentou
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=3&id={2446BA0E-8D1F-4383-B3DA-8FDFDCEC3D87}
Em minha humilde opinião (se é que ela tem alguma importância), o Mario Magalhães fez um bom trabalho.
Contudo, com o Conversa-Afiada fora do ar, o blog do Mino desativado e agora essa da Folha, a idéia de que a Internet é um “meio democrático” deve ser bastante relativizada.

domingo, 6 de abril de 2008

A curva da praça: proposição do novo

(para ver, clique na imagem)

Pessoal, divulgação do evento que vai acontecer na praça floriano peixoto no próximo sábado.
Participação especial do Tio Vinix e percurssão, apresentação de índios da barragem e morro da saudade, artesanato hippie, som, poesia, carlos galdino, rui mascarenhas, monólogos em cena e possibilidades...

por favor divulguem e compareçam, a praça não é longe, só pegar o Terminal Santo Amaro e em 25 minutos chegar (sábado sem trânsito): longe é o ato de não tocar na mão de um cachaceiro com uma faca na mão.

artes, ou o espetáculo com sangue diário?

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A Esfinge da Universidade Pública

Eu até que ia adorar falar das revoltas na Argentina onde a população pobre é feita de massa de manobra para garantir que a lucratividade dos grandes ruralistas não seja comida pelo governo, mas nosso querido Elton acabou por fazer um post muito esclarecedor a meu ver, capaz de incitar o pensamento dos mais críticos a tirarem suas próprias conclusões. Também poderia fazer uma boa postagem sobre o escândalo do “dossiê FHC” no governo, mas quer saber? Dane-se. Todos sabemos no que vai dar isso tudo, que ninguém vai ser investigado porcaria nenhuma, e que até 2010 muitas águas vão rolar trazendo à tona novas denuncias e revelando alguns “aloprados” no processo político brasileiro. Preferi falar de uma noticia recente que saiu num jornalzinho pouco lido fora da cúpula uspiana – O Jornal do Campus.
A parte da reitoria responsável pelo cuidado com os cursos de graduação da USP publicou as estatísticas referentes ao desempenho dos alunos ingressantes no ano de 2007. Dentre algumas surpresas, o que foi revelado é que os alunos de graduação dos cursos de Humanidades são os que tiram as melhores notas e apresentam os melhores desempenhos lá dentro. É pessoal, aqueles caras cabeludos, fedidos e maconheiros dos cursos de Humanas são os que mais conseguem notas altas na maior universidade do país. Mas não é esse o ponto que mais me chamou atenção. O que vale a pena destacar nas tais estatísticas é o índice de desempenho acadêmico apresentados pelos alunos provenientes das escolas públicas que foram beneficiados pelo chamado “Inclusp”, um programa que concede bônus à nota do vestibular do candidato proveniente dessas instituições. E adivinhem? Sim, o rendimento deles foi maior do que os estudantes que não receberam o bônus! Mas Ministro, que diabos isso significa, além de mostrar que eles estudaram mais que os outros? Significa que os alunos que não passariam no vestibular sem o bônus não são incapazes de freqüentar a Universidade Pública. Em outras palavras, o vestibular não se mostra como alternativa válida para medir a capacidade de alguém de freqüentar ou não uma faculdade. Ele não serve nem como questão de medir mérito (a tal da meritocracia que os defensores do exame tanto pregam), afinal as estatísticas mostram exatamente que, mesmo advindos de um ensino inferior, esses alunos possuem mais mérito (em notas) na Universidade do que os demais. Sendo mais explicito ainda, vestibular serve para barrar pobre e negro, afinal eles podem até ter mais mérito, mas mesmo assim não conseguirão entrar. Esperava-se, contudo, que a pesquisa fomentasse uma visão critica da pró-reitoria de graduação da USP à respeito da Fuvest. Ledo engano senhores. As palavras do órgão negam a contradição do vestibular na seguinte frase: “elas reforçam a idéia de que os que ingressaram pelo Inclusp têm tanto mérito acadêmico quanto os demais”. Então eu pergunto, se eles possuem o mesmo mérito, porque precisaram do tal bônus?

Frase do dia: "O Brasi não é para principiantes" - Tom Jobim

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Quarta-meia entrada: recomendações

Como o Tio está sem acesso a computador, aqui vão algumas dicas que ele pediu para colocar no blog:

Da mostra de documentários É Tudo Verdade, recomendamos Tirando o Capuz, que trata de crimes de tortura cometidos pelos EUA, no bojo da "Guerra ao Terror", e Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei - que aborda a história da ascensão e queda de Wilson Simonal (que era muito melhor do que o filho, o Simoninha).
http://www.itsalltrue.com.br/2008/

E hoje à noite, na TV Cultura, vai ao ar um show histórico de Itamar Assumpção, devidamente acompanhado de sua banda Isca de Polícia. Gravado em 1983, é uma rara oportunidade de assistirmos ao Nego Dito na TV e percebermos por que ele é considerado um dos ícones da música independente no Brasil. Morreu praticamente no anonimato.

20h00 - Programa Repertório Popular - TV Cultura

terça-feira, 1 de abril de 2008

Ausência – Terça-Mochilão com toque de Segunda-Avon

Devido a compromissos com o Judiciário- fui convocado para ser jurado- e pessoais –burocracia universitária e pesquisa na biblioteca da Eca, que não abre as sábados- a coluna não foi ao ar ontem. Mas hoje ela vem com um toque de terça-mochilão, para relembrar um pouco nossa querida Carol Marossi.

A Bola da Vez

Conforme antecipado por esta coluna (huahuahua), Dilma Roussef está no olho do furação. No dia em que saiu o laudo sobre a cratera do Metrô diagnosticando que o acidente foi uma “fatalidade”, preferiu-se dar destaque ao dossiê do “braço direito de Dilma”.

Entretanto, do ombudsman da Folha, domingo:
“O vazamento das 13 páginas pode ter sido obra de petistas, aloprados ou não? Pode. Em 2006, com a reeleição de Lula nas mãos, a ambição de ganhar também o pleito paulista produziu o escândalo que contribuiu para empurrar a eleição presidencial ao segundo turno.
As 13 páginas também podem ter sido obra de quem queria desgastar o governo e reanimar a CPI dos Cartões. Ou, mais especificamente, ferir a ministra Dilma, que está longe de ser a candidata preferida do PT e de setores do Planalto para 2010.”

E do blog do Nassif:
“Tanto na matéria da Folha quanto da Veja, não havia uma indicação nem de onde veio o tal dossiê, nem quem foi chantageado por ele. E essa ausência absoluta de informações acende a luz amarela em qualquer jornalista com experiência em reportagem investigativa.”

Piquetes, panelaços e a Recoleta na rua.

Considerações sobre a cobertura do panelaço contra Cristina Kirchner.

O Pagina 12 chamou de lockout, deu destaque ao pronunciamento de Cristina Kirchner, viu um caráter classista no movimento, encabeçado pelos grandes proprietários de terra, que estariam utilizando os pequenos e médios de testas-de-ferro. Reforça a sensação de uma orquestração pelo alto a adesão da zona norte de Buenos Aires, com destaque para o bairro nobre da Recoleta.

http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-101318-2008-03-26.html

Destacou a opinião de Mario Weinfeld, que, apesar de algumas ressalvas, apoiou Crsistina Kirchner.
“Así las cosas, en la lectura de este cronista, en su sesgo general, el Gobierno tiene razón en defender las líneas maestras de su política económica que fue convalidada por un margen amplio en las elecciones de octubre pasado.” http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/subnotas/101318-31920-2008-03-26.html

O La Nación priorizou o ponto de vista dos ruralistas, o apoio espontâneo que receberam e nomeou o movimento de a “maior greve do campo”. Em editorial, apesar de condenar os métodos dos ruralistas, jogou a culpa no “Estado voraz e insaciable, que hace pagar al campo el costo de sus arbitrariedades.”

http://www.lanacion.com.ar/EdicionImpresa/politica/nota.asp?nota_id=998754&pid=4181155&toi=5800&pid=4181155&toi=5800

O Clarín destacou o “apoio da cidade ao campo” e o “Panelaço após duro discurso de Kirchner.” E descreveu os confrontos na Praça de Maio entre “piqueteros oficialistas” e “manifestantes.” Destaque para Elisa Carrió, que responsabilizou Cristina e sua fala “violenta.”
http://www.clarin.com/diario/2008/03/26/index_ei.html
Não dá pra entender a Carrió, se ela é de esquerda por que condena a fala de Cristina, que criticou justamente o comportamento dos proprietários?

No Brasil, a Folha foi na mesma toada: “Discurso de Cristina inflama greve.”

A BBC falou em “greve dos agricultores” [farmer’s strike] e dos protestos de manifestantes que, logo após a fala de Cristina Kirchner, foram às ruas contra a Presidente.
Na página principal, não deu nenhuma linha sobre os piqueteiros favoráveis às medidas.
http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/7314067.stm
Só na BBC Brasil.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/03/080325_argentinaprotestos_mc_ac.shtml

Já o UOL priorizou a pancadaria:
"Panelaço" provoca confronto entre partidários e opositores de Kirchner.
E, seguindo o La Nación, classificou o movimento ruralista de greve.
http://economia.uol.com.br/ultnot/2008/03/26/ult35u58845.jhtm

Segundo o El País, os “Ecos de um panelaço histórico” resultaram numa busca desenfreada da população por carne e leite, o risco iminente de desabastecimento e o “apoio massivo” [multitudinario respaldo] de todo o país aos ruralistas.
http://www.elpais.com/articulo/internacional/Buenos/Aires/amanece/carne/eco/cacerolazos/elppgl/20080326elpepuint_13/Tes

O ombudsman da Folha foi certeiro:
“Que eu saiba, greve de empresário tem outro nome, locaute.”
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ombudsman/criticadiaria/ult10000u386025.shtml

E Celso Ming, no Estadão de 27/03/08, também classificou de locaute e relembrou a tática histórica do empresariado latino-americano de promover paralisações como estratégia de desestabilizar governos, como no caso de Salvador Allende. Entretanto, Ming diz que não é esse o caso. Como diz o Leandro, a primeira atitude é negar.

E a correspondente da Folha em Buenos Aires, depois do puxão de orelha do ombudsman, na edição seguinte passou a classificar movimento dos ruralistas de locaute.

Conclusão, infelizmente não temos um jornal como Página 12 no Brasil.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Sexta Literária e as questões da educação brasileira...

Esse negócio de tratar aluno como freguês na educação pública não deveria existir. Estou cada vez mais convicto de que aluno deve ser tratado como aluno. A fábrica de freguês começa em casa, quando a família ao colocar a criança na escola acha que está fazendo uso de uma instituição que deve resolver os problemas da educação de seu filho. Se pensarmos seriamente que a criança absorve o mundo que está a sua volta, chegamos a conclusão que a criança absorve a modernidade sem compreendê-la. Pior de tudo, a criança e adolescente aceita a modernidade a partir da forma de vida dos pais. Quantas vezes não escutamos a frase: "Ai senhora diretora não aguento mais meu filho, não sei mais o que fazer com ele." Realmente uma frase assustadora. Algumas pessoas não compreendem que gerar um filho é acompanhá-lo até o fim da vida deste. O monitoramento deve haver a todo tempo e com ele os puxões de orelha enquanto há tempo. As noções de certo e errado mais sedutoras serão absorvidas pela criança. Se o microcosmo familiar não estiver a par dessas propostas sedutoras que o mundo oferece e não criar estratégias para debatê-las quando a criança vier com esses questionamentos, os pais não terão armas para transformar as crianças em seus verdadeiros filhos, ocorrerá uma perda de referências da criança que se sentirá perdida, sendo potencializadora da rebeldia da modernidade. O rebelde de hoje, não é o rebelde de ontem. O rebelde da modernidade é aquele que algumas vezes tem as referências em casa, mas que nunca foi contestado por uma mãe ou por um pai. A omissão é a maior fábrica de pequenos rebeldes, pequenos desgovernados.
O modelo de escola não existe mais. As instituições não existem. A proposta deveria rodar em torno de aulas com maior duração, o professor teria tempo de ser mais humano, tempo de aproximar-se dos questionamentos dos alunos, ouvir cada aluno e organizar a sala de aula da maneira mais interessante para aprendizagem daqueles ocorrer. As diretorias de ensino deverião apresentar projetos pedagógicos constantes às escolas e não simplesmente achar que abandonar o giz e a louza, vai resolver todos os problemas.
Estou cada vez mais convicto após algumas aulas na licenciatura e algumas experiências em sala de aula com ensino fundamental de que o aluno deveria retornar ao seu lugar de aluno e professor deveria ocupar novamente o seu lugar de professor e não simplesmente abrir mão. Pedagogia do amor? Só se for a nós mesmos, amor a nossa posição de professor e amor por realizar uma aula com energia que essa merece. Agora, um a pergunta que não quer calar: Um professor aguenta exercer o seu real papel de professor durante 30 aulas semanais? Nem o mais bem intencionado deles. Não há energia suficiente. Não há vontade por parte dos governos a incentivarem o professor a ter energia por 30 aulas semanais e enfrentar sozinho a modernidade carregada nos alunos. Hormônios a flor da pele, a educação pública e a modernidade sem instituições devem dialogar com grupos de pensadores, professores bem intencionados e não em separado de maneira asquerosa na câmara dos vereadores ou em algum órgão do gênero.

Levanta por favor e movimenta sua carteira um pouco mais pra frente? Ah meu, que saco. Que saco o quê? Se você soubesse mais sobre essas questões da educação não ficaria falando assim comigo. Falaria sim professor...falaria sim professor, eu sei que a educação é uma merda mesmo. Olha a boca menino, olha a boca menino. Eu que mando nela professor. Ainda bem eu não queria mandar na sua falta de educação e vem mais pra frente com essa carteira antes que eu te dê uma advertência. Advertência professor? Num pega nada não e me deixa de boa aqui onde estou ó. Tá bom então fica de boa, quer que eu traga para você umas fritas? Não professor obrigado mesmo. Uma soda? Uma tubaína? Uma cerveja? Ô professor endoidou? Eu sou de menor ainda, se minha mãe sabe que eu bebo, cheiro um lança e fumo todas ela me mata. Conta pra ela da melhor maneira possível, ela vai te amar pro resto da vida. É mesmo professor, você tem razão, minha mãe me ama, mas não conto nada não. Quer que eu traga um banco para você apoiar os pés? Não professor valeu mesmo em sangue bom, valeu mesmo...Não precisa me tratar que nem marajá que aí você me ofende, dá sua aula mano...dá sua aula. O verbo transitivo é aquele que transita pela frase. Transar professor? Ih...to querendo comer todas, tô querendo, lá no pancadão é tudo nosso qualquer dia te convido profressor...te convido pros rolês você vai curtir meus camaradas, to pra dizer que você é gente boa professor, mas não me muda de lugar não.

Ouvindo Moraes Moreira e Paulinho da Viola saiu o texto acima.

(silêncio e reflexão).

quinta-feira, 27 de março de 2008

Le Transit


Ah São Paulo ! Terra da Garoa! Terra da garoa? Depois desse aquecimento global e de bons invernos sem chuva, essa cidade virou mesmo terra do congestionamento. Aproveitemos então que estamos no começo do outono, com chuvinhas amenas para refrescar e transformar a cidade em mais um caos viário. Enquanto grandes cidades no mundo civilizado (descartem Nova Iorque e essas cidadelas americanas) fazem seus exemplos de contenção aos carros, nós, brasileiros apaixonados, cultuamos o deus carro e pensamos em meios de continuar reverenciando a fumaça diária e melhorar o trajeto urbano. Paris, Londres, Berlin e até mesmo Bogotá já possuem incentivos à prática da bicicleta, e algumas até instituíram o pedágio urbano, o bixo papão dos brasileiros. Eu, inocente que sou, fiquei pasmo ao ouvir a Rádio Eldorado conversando com os nobres moradores da zona Sul, tentando expor meios de fazer o privilegiado deixar seu carro com ar condicionado em casa e utilizar um transporte público. A proposta dos moradores? Simples! Criar um transporte por vans, com assentos anti-liquido (sem brincadeira!), ar condicionado e com um preço mais elevado para que o pobre não se utilize dele. Perfeito! Afinal, por que raios os ricos tem que se misturar com os demais? Já moram em “ilhas condomínicas” que os impedem de ver a desgraça lá fora (ou impede a desgraça de entrar), poderiam ao menos saírem em vans, conversarem entre si e ter um motorista particular que os leve para o trabalho e de volta às suas casas. E sabe do que mais? Os esclarecidos da classe média apóiam. Acham que é necessário criar um incentivo ao rico que compense-o a deixar o conforto de seu carro. Incentivo quem tem que ter é o pobre! Que já sofre todos os dias com ônibus lotado e trabalha para sustentar essa elite medíocre. Mas o pior de tudo é ver a luta da classe media em conquistar seu espaço nas ruas de São Paulo. Sonho maior é comprar um carro e pegar transito. É ficar parado respirando gás carbônico enquanto olha para o lado e sente pena das pessoas em pé no ônibus. Até quando a inerte população agüentara isso? Os paulistas, tão orgulhosos de sua cidade, continuarão felizes por morarem com a qualidade de vida que lhes é devida, desde que tenham seus carros para brincar.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Quarta Meia Entrada – O Império do Caos


Pobre Paul Haggis, o diretor mais subestimado dos últimos tempos... Desde que ele levou o MERECIDÍSSIMO Oscar por “Crash” sobrepujando o incensado “Segredo de Brokeback Mountain”, o cara é rotineiramente mal dito pela crítica especializada, tudo porque o cinema político venceu o cinema novelão do Ang Lee (a Janeth Clair de Hollywood). Pois essa semana tive a chance de ver o Haggis ratificando a condição de um dos melhores cineastas da atualidade com um dos melhores filmes que eu assisti esse ano: “No Vale das Sombras”. Ninguém até agora conseguiu mostrar o estado de caos que os estadunidenses criaram no Iraque e no no próprio império com a gananciosa invasão promovida as custas da manutenção do “jeito americano de viver” como Haggis mostra nesse filme, ao nos contar a história de um ex-sargento que vai atrás do seu filho que, ao voltar do Iraque desaparece. As crenças patriotas arraigadas do sargento interpretado por Tommy Lee Jones vão aos poucos se diluindo na estupidez de uma guerra que não existe, na sua própria estupidez militar e no soterramento de meninos que vão ao Iraque condicionados a serem heróis e não conseguem entender porque são os inevitáveis vilões, consequentemente retornando (quando a justiça não é feita pelas vítimas invadidas) como monstros para si próprios e para quem estiver ao seu redor. Mesmo quando eu pensava que o filme ganharia contornos ufanistas do tipo “somos legais mas estamos mal orientados”, Haggis consegue mostrar que a esfera do caos militar estadunidense se estende facilmente até a polícia civíl, que tem a mesma postura condicionada dos soldados do exército, só que voltados aos trâmites burocráticos e aos inevitáveis machismos e racismos que são a quintessência do império. A cena final do filme é emblemática e precisa. Há de se valorizar também a grande atuação de Tommy Lee Jones e o trabalho de edição preciso, sem grandes invenções, preservando a técnica de forma a arredondar o roteiro com maestria. Para ver e pensar.

terça-feira, 25 de março de 2008

Nota

Morreu hoje o jornalista Sergio de Souza, um dos fundadores da revista Caros Amigos.
Menos uma boa opção para quem queria aprender a ser um jornalista sério.

Justificativa

Me desculpem a falha da semana passada. Tive meu acesso a computadores drásticamente reduzido devido a equação músicocrítico trabalhando com contabilidade+corte na empresa= Tio desempregado.
Espero poder compensar nessa semana.