segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Quarta MeiaEntrada (na Segunda) - O básico da MPB VIII

Milton Nascimento























Minas (1975) e Geraes (1976)






Houve uma edição um tanto difícil de se encontrar onde esses dois disco que se completam foram lançados como um ábum duplo, mas o mais fácil é você encontrá-los separados, o que não impede de que eu os coloque aqui como complemento um do outro e Básicos.



O grande diferencial desses dois disco está na técnica e na gravação. Como diria o presidente, nunca antes na história da música brasileira um disco havia sido tão bem gravado e tinha utilizado tantos recursos inovadores, tais como uma faixa de introdução, um tema de uma determinada música que está presente entre as faixas (no caso, a música "Paula e Bebeto", que ecooa entre uma faixa e outra de "Minas") e também a música brasileira foi para além das suas fronteiras, com a participação dos chilenos do grupo Água e da argentina Mercedes Sosa (em "Gerais") . A geração de músicos que participou dessa gravação também foi uma coisa rara. Novelli, Toninho Horta, Beto Guedes, Robertinho Silva, Fafá de Belém. Quando relançados em CD, esses discos foram remasterizados pela Abbey Road, só. Outro salto musical como esse por aqui só foi dado com o Mangue Beat. Fundamental para entender os caminhos da canção tupiniquim não como pequenas peças, mas como unidade, como os caminhos da serra da mantiqueira, onde cada pequena cidade é uma pequena história e cada pequena história é Minas, o Brasil e a América Latina.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Resultado Parcial

Acho que errei a data de aniversário do Steve Jobs...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mandinga p'ro seu Blog voltar dos mortos

Realizar a meia noite do aniversário do Steve Jobs.
Você vai precisar de:

3 latinhas de guaraná jesus
1 pé de moleque de Piranguinho
3 velas pretas
1 pendrive da Kingston
1 video da Vanessa Camargo dançando o "Exú Caveirinha"
1 marafo
1 galinha preta

Entregar o guaraná, as velas, a galinha, o marafo, o pé de moleque e o pendrive na encruza e oferecer pro Exú Bill Gates Das Sete Encruzilhadas.

Ver 3 vezes o vídeo da Vanessa Camargo.

Falar em voz alta: " Se o Obama Pode ter um Nobel, se a Preta Gil pode twittar, se o Serra pode ser presidente meu blog pode virar Zumbi!

Aguardar.

http://www.youtube.com/watch?v=bEyG9IGCgZw&feature=related

quarta-feira, 14 de maio de 2008

...E segue a peleja


Mais do Tio Allan Sieber... é bem por aí...

Um conto pra esquentar

Em tempos de poucas postagens, vai aí um conto meu saído do forno. Não tenho a qualidade técnica da Carol ou do Ivan, muito menos a inventividade do Salvaterra, mas vou arriscar. Um breve conto de Horror pra vcs. Divirtam-se (ou não). Mais tarde tem quarta MeiaEntrada pra garotada.

Aquele que espera por ela

"Não somos, por acaso, as máquinas do prazer de Deus?"
Ray Brabury

Na primeira sala eu era o caco de um espelho cuidadosamente jogado no canto esquerdo. Você era o primeiro reflexo interessante que eu reproduzia e eu me sentia refazendo você. Quando você me viu, viu você e eu te vi de perto, quando de perto você me viu, se aproximando de mim, fazendo eu me aproximar um pouco mais de você. Você me pegou no chão e quando se tocava eu tocava você. Bastava apenas não se ver e ver que como você eu também te via enquanto mostrava você ao contrário. E você se viu exposta, invertida por mim. Creio que em uma questão de segundos, se ver tão exposta e ainda ao contrário pode tornar a admiração em repulsa mesmo que a curiosidade seja grande. Eu, na minha condição de caco de espelho tinha as minhas pontas mal aparadas e te cortei quando você se cortou. Nada mais natural ao me ver sangrar sangrando você se me largar e se afastar, eu me soltando e me afastando de você. A porta estava aberta e em poucos passos você estava na sala seguinte.
Lá eu me fiz um banco concentrado daquela matéria que é conhecida(se não me engano) como madeira e você era alguém com um dedo sangrando. Eu me oferecia gentil para que você se sentasse e talvez pensasse sobre o que realmente te apoiava. Você sentou-se e, com o dedo machucado na boca parecia efetivamente pensar, enquanto eu pensava no que você estaria pensando. Quando seu dedo parou de sangrar você me percebeu, e dessa vez em vez de refletir você, eu era o seu apoio. Você levantou-se e caminhou ao redor da sala, que eu esvaziara cuidadosamente para que nela fosse eu apenas o seu apoio, o banco de madeira. É possível que você não tenha se sentido confortável diante da minha solidez , por isso segui a porta e para a próxima sala.
Lá eu era mofo nas paredes e me espalhava em volta de você silenciosamente, mas não deixando de crescer e te evolver a distância (pelo menos nesta sala). Pela primeira vez você pareceu compreender o que eu era e falou comigo. Infelizmente disse não estar satisfeita , alegando que eu trazia em mim (nessa forma) uma idéia de antiguidade e de abandono ou destruição que não lhe agradava, eu na minha condição de mofo consequentemente devorando o novo que estava naquela sala. Queria te dizer que na verdade trazia a consequência do que é estar vivo, um presente em forma de ensinamento ( me fora ensinado que o presente mais valioso que existe é aquele que pode ser guardado exclusivamente na memória, e o que se guarda lá é que pode ser aprendido e ensinado posteriormente). Mas nada disse, pois na minha condição de mofo nada poderia mesmo dizer. Assim, dessa vez outra novidade: creio que a sua reação era a de irritação, e mesmo sabendo que um sentimento como esse dificilmente poderia derivar em uma forma de atenção positiva, já sabia que você tinha sentido alguma coisa por mim.
Quando a passos largos você se dirigiu a próxima sala, eu me fiz a sombra de lá. Tinha como intuito mostrar a você como a luz é de uma beleza ímpar quando vista através das sombras e como a presença de sombras também afasta a idéia de escuridão, pois as sombras se fazem justamente pela presença de luz. Eu sabia desde quando te refleti da luz que você tinha dentro de você, e como sombra sentia de forma poética (se é que consegui entender de forma completa o significado de uma poesia, das muitas que li) completando-a. Você, ao me ver como sombra demorou um pouco a me reconhecer e quando o fez brincou comigo, iluminando toda a sala, expondo justamente aquela luz que eu sabia que você tinha, sendo apenas você completa, insinuando que a sua luz era tal que poderia eliminar de forma sistemática qualquer sombra que pairasse dúvida sobre isso. Eu então me retirei, para que você fosse unicamente luz, e da sala seguinte pude ouvi-la rir e pular por alguns momentos até adentrar a próxima sala.
Lá eu fui afetado por você de forma diferente. Ao entrar sua luz antes de qualquer coisa me coloriu e eu era todas as cores daquela sala. E eu era tantas e tão vivas ao mesmo tempo que envolvi você, enquanto você se deixava envolver pelo turbilhão multicolor que a cercava. Julguei que o que vi em você naquele momento era o que é denominando de Felicidade e essa sua sensação me dava a capacidade de me multifacetar em cada vez mais cores de forma alternada e cada vez mais rápida, de certo modo talvez até sufocante, mas para mim definitivamente inebriante. O efeito disso em você pra mim foi inesperado, pois aparentemente assustada e com um líquido escorrendo dos olhos (seriam essas as tais “lágrimas” que tanto me causavam curiosidade?) partiu rapidamente para a sala seguinte.
Nesta sala eu me fiz como alguém da sua espécie, um homem cuidadosamente moldado, que a observava como quem observa sua relíquia mais preciosa. Dessa vez vi em você um sentimento que nunca antes havia concebido, mas que provavelmente era o que é definido como desespero. Você me tocou, e eu me senti tão eufórico quanto vi você na sala anterior. Mesmo enquanto você gritava de forma aterradora e, sobre mim me apertava e me tocava em movimentos rápidos e fortes a ponto de começar a desfigurar o que eu havia concebido como um rosto, senti justa e finalmente o que tanto buscava e até cheguei a ter dúvidas sobre a real existência: Prazer. Sim, estou convicto de que o que me percorreu naquele momento e fez eu simplesmente paralizar meus sentidos, com foco apenas no que ocorria em mim era o que é conhecido como prazer. Você, para meu deleite, passou bastante tempo nessa sala, tempo suficiente para destruir toda a minha forma humana. Quando eu estava totalmente deformado e ao mesmo tempo extasiado de um modo inigualável você deixou a sala, com o mesmo semblante de desespero que por ela havia entrado.
Na sala seguinte o que ouvi de você,mesmo tendo um conhecimento respeitável da sua forma de comunicação, foi quase totalmente incompreensível. Pude perceber que você falava muito e entre o que pude distinguir como palavras haviam sons, ora guturais, ora agudíssimos, de alta intensidade e longa duração, que estão além da minha compreensão. Dentre a palavras que entendi, ficou claro que você queria que eu saísse de perto de você, me retirasse da sala e de qualquer outro lugar onde você estivesse (lembro-me claramente da palavra “Prisioneira” e várias inflexões da mesma, mas seu significado é um mistério pra mim). Mesmo você se dirigindo a todos os lugares da sala enquanto falava, tenho dúvidas se você realmente sabia que eu estava lá te observando. Sei que, sedento de poder encontrar mais uma vez o prazer que havia obtido, achei mais prudente obedecer aos seus pedidos o mais rápida e eficientemente possível. Nesta sala afim de que você se sentisse mais tão assustada quanto parecia estar, me fiz todo o ar que a rodeava. Assim nessa condição, me retirei completamente, deixando você só e totalmente livre de qualquer ar, no estado mais silencioso que o vácuo pode proporcionar. Fui para a sala seguinte aguardando a sua chegada, dessa vez sem assumir ou me reagrupar atomicamente de forma nenhuma, sendo como eu sou naturalmente, na minha forma primária.
Há um longo tempo espero você nessa sala, mas parece que você se recusa a sair da sala anterior. Daqui apenas posso ver você deitada de bruços, imóvel desde quando eu me retirei.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Aprendendo com o Tio Allan a parar de fumar

(Cartum do Allan Sieber)

Meu primeiro round tá assim:
Vamos ver como eu me saio nas próximas semanas...



quinta-feira, 24 de abril de 2008

Impressões


Ah viagens! Nada como uma boa viagem para me revigorar dessa selva tecnocrata que é São Paulo. Acabo de voltar do Rio, e a despeito de dengues e assaltos eu simplesmente adoro a cidade. No Rio as coisas são todas um pouco desorganizadas. Ao contrário de São Paulo em que cada tribo freqüenta uma região diferente, os cariocas se misturam e produzem verdadeiras cenas surreais em suas ruas. Reflexo da própria arquitetura da cidade, com construções modernistas e românticas lado a lado. Florestas dividem espaços com shoppings, montes de pedras com casas, produzindo uma sensação de estranheza à quem não é da cidade. Sensação essa agradável, mas não menos impactante. A despeito da miséria ser bem mais visível no Rio (quem tem medo de pobre?) e infelizmente eu não poder sair sozinho sem atrair muita atenção, sou apaixonado pela atmosfera boêmia e desleixada do lugar. Já pensei mesmo em morar por lá, em conviver com o povo carismático e bem mais aberto que os enrustidos paulistas, mas sei que minhas preocupações não se apartariam ao ver a grande desigualdade que assola a cidade. Enfim, prefiro visitar esporadicamente, experimentando sempre a sensação de estranheza que curto nas viagens que faço. Alguns momentos que valeram boa diversão foram o Funk carioca na Lapa (o tal de Fuck Funk), com entrada de R$1,00 (!), assistir a final de campeonato no Maracanã (com desconhecidos se abraçando e dançando crééééééu para a torcida do Fluminense), visitar a favela da Maré, comer a pizza carioca (e sentir saudades de casa), tomar de assalto a cidade de Conservatória (com cerca de 3000 habitantes) e claro, fazer tudo isso com 140 amigos bebendo cachaça Claudionor...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Quarta MeiaEntrada na Virada Cultural


Seguindo os sábios conselhos da Carol Marossi (que vai ter uma surpresa no Sábado), vou aproveitar pra falar da Virada Cultural, que acontece nesse fim de semana(26 e 27 de Abril) aqui em São Paulo.
Primeira coisa: Todas as capitais do Brasil deviam ter uma Virada dessa, não é tão difícil de fazer quanto parece e os resultados são bem interessantes do ponto de vista de revitalização do centro da cidade. Tendo em vista que a maioria dos centros das nossas capitais estão próximos do estado de degradação que se encontra o centrão paulistano, é algo que deveria ser pensado, sem contar que do ponto de vista governamental (não se essa é a palavra certa) é uma boa forma de incentivar o turismo interno.
Segunda coisa: A exemplo do que será feito esse ano, seria uma ótima idéia convidar também artistas estrangeiros para participar do evento, claro que considerando que você mantenha o espaço para vários artistas da cena independente paulistana participarem em palcos reservados só para eles.
Agora, antes de um breve roteiro dos shows que eu recomendo e que provavelmente irei ver por lá, não poderia deixar de falar de algumas coisas que vão acontecer e que também valem muito a pena, como o show do Luis Melodia as 18h no Teatro Municipal, Arismar De Espírito Santo no palco do piano, Zé Ramalho na São João e as sessões de cinema no Cine Olido coordenadas pelo Carlos Reichenbach, onde o tema será filmes sobre Vampiras, e aqui meu único protesto: Dentre todos os excelentes filme que ele programou, me entristece muito saber que um dos maiores clássicos do gênero, o filme “Rosas de Sangue” de Roger Vadim não estará na programação.

Agora, o meu roteiro:

As 18h na São João a Deusa Caboverdiana Cesária Évora, a Rainha da Morna.

As 21h no Teatro Municipal Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos executando o disco “Dança das Cabeças”, um dos maiores clássicos da música instrumental do século XX.

0h, minha única dúvida: Assistir grande promessa da música paulistana Andréia Dias ou ver o que será que o Zé Celso Martinez Corrêa aprontará com um PIANO no palco destinado justamente a esse instrumento?

As 3h Maria Alcina. Ela é só a melhor interprete da música “Fio Maravilha” do Jorge Ben. Isso já é mais do suficiente pra ir ver o show dessa extraordinária cantora.

As 8h Záfrica Brasil. Rap de muita, mas muita, mas muita qualidade.

12:30h tem Vasco Faé no Palco de Blues, grande gaitista que já tocou no Blues Etílicos e que faz um Fusion de ótima qualidade, acompanhado na percussão pelo meu parceiro que é o melhor percussionista do ABC: Fabio “Azeitona” Daros (quebra tudo, Azeitona!!!!!)

As 16:15h, vou de Bocato, o grande trombonista. Promessa de Jaaaaaaaaazz!

As 18h pra encerrar... TETÊ TETERETÊ!!!!! Jorge Ben Jor.

E é isso, boa festa pra todos, a gente se tromba no centrão. Mais informações sobre outros shows( e são muitos), horários e locais
aqui no site da Virada.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Quinze Minutos


Quinze minutos é o ápice do mundo contemporâneo. É o tempo necessário para se comunicar tudo a todos. É o tempo da internet, do blog, do programa de televisão. O ritmo acelerado do videoclipe que permeia nosso modo de ser, de falar, de se expressar, de pensar. Imagens aos montes entorpecem a mente dos jovens, causando alegria, êxtase e cansaço numa rapidez gritante, capaz de levar o ser ao vislumbre do nada. Somos a geração MTV. A geração do falar rápido e sem sentido. Do esboçar comportamentos múltiplos em questão de segundos, sem propósito algum. Cansados apenas em assistir televisão. Não nos surpreendemos com mais nada. Não nos causa estranhamento problemas, crises, misérias, solidão. Cultivamos o tempo do minuto, dando importância à estética, ao plástico acima de qualquer outro conteúdo. Nossa formação acaba aos vinte. Faculdades com três diplomas em dois anos. Broadcast até na hora de comer. Falta. Falta satisfação. A falta se transmuta em quantidade. Beijamos e saímos com muitos; entendemos poucos. Trabalhamos sem sentido algum. Trabalhamos para nós mesmos, sem construir algo duradouro. Sociedade com Q.I. de VJ.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Quarta MeiaEntrada - O que é o amor hoje em dia na música brasileira?


Seria isso?


Zeca Baleiro - Mundo dos negócios

baby vem viver comigo no mundo dos negócios

traz o teu negócio junto ao meu negócio

vamos viver do comércio barato de poemas de amor

baby o que mais importa

a poesia está morta mas juro qua não fui eu

tudo à minha volta são reclames

desejos vãos e sóis

tudo à minha volta são reclames

desejos vãos e só

baby vamos ao cinema a vida é cinema

já vi esse filme sempre o mesmo filme

canções de amor se parecem porque não existe outro amor

("Cidades vertiginosas, edifícios a pique, Torres, pontes, mastros, luzes, fios, apitos, sinais. Sonhamos tanto que o mundo não nos reconhece mais, As aves, os montes, as nuvens não nos reconhecem mais, Deus não nos reconhece mais.")


Ou isso?


Luiz Tatit/Dante Ozzetti - Nosso amor


Se falei de você só falei por falar(não tinha mais de quem falar)

Só sonhei com você pois não pude evitar(temos que sonhar)

Se fiquei com você só fiquei por ficar(quem fica fica por ficar)

Se aceitei seu amor aceitei sem pensar(não sei recusar)

Se ainda estou com você inda estou por estar

Nosso amor afinal não tem nada de especial

Não é paixão não é fatal

Não é assim essencial

Nem é só sentimento circunstancial

Não é tanta coisa mas é tão legal!

Infeliz de quem vem até aqui me buscar(quem busca adora rebuscar)

E me vê com você vendo o tempo passar(é só o que verá)

Sem saber se esse amor inda vai decolar(se cola pode decolar)

Eu por mim tudo bem deixo assim como está

Nosso amor se tornou uma história singular

É só calor e se calar é só compor sem cantar

Nosso amor se espreguiça só quer vadiar

Vai passando os dias sem se entediar...

Uma das dúvidas típicas que ficam no ar:

Como que um amor que não quer nada pode continuar?

Nosso amor não cansa de durar

Sempre foi assim sempre será

Não se pode esperar muito disso mas também por que esperar?

Se falei de você só falei por falar(não tinha mais de quem falar)

Se fiquei com você só fiquei por ficar(quem fica fica por ficar)

Infeliz de quem vem até aqui me buscar(quem busca adora rebuscar)

Sem saber se esse amor inda vai decolar(se cola pode decolar)


Ou talvez isso?


Paulinho Moska - Do amor


Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor. Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta. A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O AMOR está em movimento eterno, em velocidade infinita. O amoré um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?

Minha resposta? O amor é o desconhecido.

Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O amor brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a Vida é feita. Ou melhor, só se Vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.




Olha, eu não sei resposta não... vocês que dêem as suas.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Micro Terça Mochilão

Uma Charge Vale Mais do Que Mil Palavras!!!



Taí a minha opinião sobre os protestos pela libertação do Tibete que vêm acontecendo durante a passagem da tocha olímpica pelo mundo.

Idas e Vindas

Aviso aos leitores!!!

-O nosso querido Elton-Garotinho-Avon está entrando em recesso por tempo indeterminado devido a questões particulares e a nossa Segunda-Avon passará por algumas reformulações em decorrência disso.
- Em compensação, a Terça-Mochilão da Carol "Eu quero o meu guaraná Jesus!" Marossi está voltando logo logo...aguardem e verão..

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Confusão Público X Privado – O Caso UNB

E não é que a USP criou moda com a invasão de reitorias! Pois é, agora a UNB (Universidade de Brasília) é quem usa desse artifício para conquistar suas reivindicações. Eu confesso que, no inicio, fui contra a ocupação da mesma. Mas Ministro, o senhor não foi a favor da ocupação na USP? Por que foi contra à da UNB? É, acontece que a ocupação da reitoria na USP foi feita por questões internas à universidade. A luta era por melhores moradias, comida e reformas nos prédios de algumas faculdades. Em Brasília o problema era outro. O pedido de renuncia do reitor Timothy Mullholand envolve um escândalo de corrupção e mau uso do dinheiro público. Ou seja, os protestos não deveriam limitar-se ao espaço da UNB, porque não foi ela a única lesada. Greves e manifestações em toda cidade (como passeatas, por exemplo) seriam bem mais interessantes a meu ver. Mas tudo bem, os alunos da UNB acabaram reivindicando algo interno à instituição apenas (o uso do dinheiro para construção e reforma de moradia estudantil), o que por um lado legitimaria a invasão da reitoria, mas por outro afastaria a mesma universidade de uma participação mais ativa da sociedade em geral. Dessa forma presenciamos em Brasília os mesmos problemas que as universidades públicas de São Paulo enfrentam: falta de reconhecimento dos cidadãos sobre a importância e a necessidade de defenderem um patrimônio e instituição pública capaz de oferecer serviços de excelência a eles. Esse processo de não identificação da universidade com a sociedade a sua volta acaba por prejudicar em muito a legitimação dos atos em prol da luta por melhorias, ou por questões de corrupção mesmo, afinal a população além de não saber o que ocorre lá dentro, sequer consegue acesso à universidade. A chance que a UNB teve de usar um problema mais amplo (o uso de dinheiro público) para agregar seu espaço com a população de Brasília foi descartado, preferindo-se somente envolver órgãos e instituições ligados a atividade intelectual da mesma. É uma pena que uma oportunidade dessas acabou sendo deixada de lado. Agora resta ver se, através de suas forças internas apenas, a universidade conseguirá seus intentos (voltados somente a ela).

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Quarta MeiaEntrada

O básico da MPB VII – Caetano veloso





Transa -1972



O melhor disco que o Caetano já lançou. SÓ ISSO. O que possibilitou isso foram vários fatores: O sujeito homem estava exilado em Londres e tinha que ganhar dinheiro ou seja, tinha que fazer uma coisa boa. Estando em Londres também tinha acesso a muitas outras influencias de forma mais completa, além de ter Jards Macalé como produtor e arranjador do disco. A referencia que ele faz a “The Long Way Winding Road” dos Beatles na faixa “It’s a Long Way” é antológica. Apesar da maior parte das músicas serem em inglês, destaco a faixa “Triste Bahia”, onde o compositor musicou um poema de Gregório de Mattos com extrema felicidade. Os improvisos que se seguem nessa faixa e em outras faixas do disco também podem ser considerados de certa forma inovadores, pois fazem uma comunhão do improviso aqui já tradicional do jazz com a tradição das festas nordestinas, onde um determinado cantador improvisa um mote sobre um determinado gênero ou sobre o mesmo rítmo desfia várias cantigas folclóricas diferentes, imputando na improvisação algo novo, pelo menos para os gringos. Esse é uma disco para ser ouvido com calma e várias vezes, pela sua riqueza em detalhes, além de importancia que ele tem na própria formação do Caetano, pois a partir daí ele passa a gravar os violões em suas músicas, o que ele não fazia antes do exílio, pois como não era considerado um bom instrumentista pelo produtores brasileiros e não tocava violão de uma forma tradicional. O título do disco é uma resposta irônica aos militares que, ao permitirem que Caetano viesse ao Brasil em 1971 para assistir a festa de 40 de casamento dos seus pais, pediram que ele compusesse uma música em homenagem a rodovia Transamazônica, que estava sendo construída. Básico porque a música brasileira de hoje é 60% Caetano Veloso (raríssimos os artistas que não tenham sido influenciados por ele) e “Transa” é 90% do que Caetano se tornaria nos anos 70 e 80 do século XX.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tucano canta de galo, e põe fogo no ninho

Ao declarar que teve acesso a cópia do dossiê e que fora uma das fontes da revista Veja, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) fez “um gol contra”, como lamentou editorial do Estadão. A oposição colocava o governo nas cordas, FHC exigia a demissão de quem o teria produzido e eis que Álvaro Dias tenta cantar de galo e acaba favorecendo a argumentação do governo de que haveria um complô. Um bom resumo da história toda e das implicações do caso está no site da Carta Capital.
“Existe relação entre a ministra e o vazamento das informações? A Folha de S.Paulo de sexta-feira 28 de março afirmou em manchete que o braço direito de Dilma, Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, teria sido a responsável pelo suposto dossiê, mas não apresentou nenhuma prova contra a funcionária. E, por último, o mais relevante: quem pinçou as informações sobre os gastos de Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher, dona Ruth, do banco de dados da Casa Civil? Ou seja, se existe um dossiê, quem o fabricou?”
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=594
A questão é saber se houve vazamento de informação ou espionagem. Não sou especialista em área criminal, mas pelo que li o responsável pela divulgação dos dados sigilosos pode pegar de 1 a 4 anos de prisão. Carol, Julia?

Acabou-se o que era doce

Ontem a Folha publicou a última coluna de Mário Magalhães como ombudsman do jornal. O relato de sua saída é belíssimo e expõe os dilemas por que passam uma publicação que expõe a crítica que faz a si mesmo. O contrato com ele poderia ser renovado por mais um ano, mas a Folha condicionou sua permanência ao fim da exposição da crítica diária na Internet, ao que o jornalista foi contra. A coluna dominical do ombudsman permanece, mas a Folha retrocede ao impedir o acesso dos leitores à crítica diária.
O observatório da imprensa comentou
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=3&id={2446BA0E-8D1F-4383-B3DA-8FDFDCEC3D87}
Em minha humilde opinião (se é que ela tem alguma importância), o Mario Magalhães fez um bom trabalho.
Contudo, com o Conversa-Afiada fora do ar, o blog do Mino desativado e agora essa da Folha, a idéia de que a Internet é um “meio democrático” deve ser bastante relativizada.

domingo, 6 de abril de 2008

A curva da praça: proposição do novo

(para ver, clique na imagem)

Pessoal, divulgação do evento que vai acontecer na praça floriano peixoto no próximo sábado.
Participação especial do Tio Vinix e percurssão, apresentação de índios da barragem e morro da saudade, artesanato hippie, som, poesia, carlos galdino, rui mascarenhas, monólogos em cena e possibilidades...

por favor divulguem e compareçam, a praça não é longe, só pegar o Terminal Santo Amaro e em 25 minutos chegar (sábado sem trânsito): longe é o ato de não tocar na mão de um cachaceiro com uma faca na mão.

artes, ou o espetáculo com sangue diário?

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A Esfinge da Universidade Pública

Eu até que ia adorar falar das revoltas na Argentina onde a população pobre é feita de massa de manobra para garantir que a lucratividade dos grandes ruralistas não seja comida pelo governo, mas nosso querido Elton acabou por fazer um post muito esclarecedor a meu ver, capaz de incitar o pensamento dos mais críticos a tirarem suas próprias conclusões. Também poderia fazer uma boa postagem sobre o escândalo do “dossiê FHC” no governo, mas quer saber? Dane-se. Todos sabemos no que vai dar isso tudo, que ninguém vai ser investigado porcaria nenhuma, e que até 2010 muitas águas vão rolar trazendo à tona novas denuncias e revelando alguns “aloprados” no processo político brasileiro. Preferi falar de uma noticia recente que saiu num jornalzinho pouco lido fora da cúpula uspiana – O Jornal do Campus.
A parte da reitoria responsável pelo cuidado com os cursos de graduação da USP publicou as estatísticas referentes ao desempenho dos alunos ingressantes no ano de 2007. Dentre algumas surpresas, o que foi revelado é que os alunos de graduação dos cursos de Humanidades são os que tiram as melhores notas e apresentam os melhores desempenhos lá dentro. É pessoal, aqueles caras cabeludos, fedidos e maconheiros dos cursos de Humanas são os que mais conseguem notas altas na maior universidade do país. Mas não é esse o ponto que mais me chamou atenção. O que vale a pena destacar nas tais estatísticas é o índice de desempenho acadêmico apresentados pelos alunos provenientes das escolas públicas que foram beneficiados pelo chamado “Inclusp”, um programa que concede bônus à nota do vestibular do candidato proveniente dessas instituições. E adivinhem? Sim, o rendimento deles foi maior do que os estudantes que não receberam o bônus! Mas Ministro, que diabos isso significa, além de mostrar que eles estudaram mais que os outros? Significa que os alunos que não passariam no vestibular sem o bônus não são incapazes de freqüentar a Universidade Pública. Em outras palavras, o vestibular não se mostra como alternativa válida para medir a capacidade de alguém de freqüentar ou não uma faculdade. Ele não serve nem como questão de medir mérito (a tal da meritocracia que os defensores do exame tanto pregam), afinal as estatísticas mostram exatamente que, mesmo advindos de um ensino inferior, esses alunos possuem mais mérito (em notas) na Universidade do que os demais. Sendo mais explicito ainda, vestibular serve para barrar pobre e negro, afinal eles podem até ter mais mérito, mas mesmo assim não conseguirão entrar. Esperava-se, contudo, que a pesquisa fomentasse uma visão critica da pró-reitoria de graduação da USP à respeito da Fuvest. Ledo engano senhores. As palavras do órgão negam a contradição do vestibular na seguinte frase: “elas reforçam a idéia de que os que ingressaram pelo Inclusp têm tanto mérito acadêmico quanto os demais”. Então eu pergunto, se eles possuem o mesmo mérito, porque precisaram do tal bônus?

Frase do dia: "O Brasi não é para principiantes" - Tom Jobim

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Quarta-meia entrada: recomendações

Como o Tio está sem acesso a computador, aqui vão algumas dicas que ele pediu para colocar no blog:

Da mostra de documentários É Tudo Verdade, recomendamos Tirando o Capuz, que trata de crimes de tortura cometidos pelos EUA, no bojo da "Guerra ao Terror", e Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei - que aborda a história da ascensão e queda de Wilson Simonal (que era muito melhor do que o filho, o Simoninha).
http://www.itsalltrue.com.br/2008/

E hoje à noite, na TV Cultura, vai ao ar um show histórico de Itamar Assumpção, devidamente acompanhado de sua banda Isca de Polícia. Gravado em 1983, é uma rara oportunidade de assistirmos ao Nego Dito na TV e percebermos por que ele é considerado um dos ícones da música independente no Brasil. Morreu praticamente no anonimato.

20h00 - Programa Repertório Popular - TV Cultura

terça-feira, 1 de abril de 2008

Ausência – Terça-Mochilão com toque de Segunda-Avon

Devido a compromissos com o Judiciário- fui convocado para ser jurado- e pessoais –burocracia universitária e pesquisa na biblioteca da Eca, que não abre as sábados- a coluna não foi ao ar ontem. Mas hoje ela vem com um toque de terça-mochilão, para relembrar um pouco nossa querida Carol Marossi.